A reportagem ouviu especialistas em logística, de empresários do ramo a professores de pós-graduação, e pediu uma lista com as inovações que prometem causar maior impacto no armazenamento e no transporte de mercadorias nos próximos anos.

Em comum, todos apontam a conectividade como saída para desatar os principais nós, seja no chão de fábrica, no interior dos armazéns, dentro dos veículos ou nas mãos dos usuários.

“Esse será o grande filão para micro e pequenos empreendedores. A estrutura física de armazéns, portos, estradas e aeroportos mudou pouco, portanto haverá uma demanda crescente por soluções tecnológicas”, afirma Hugo Yoshizaki, coordenador da pós-graduação em logística empresarial da Fundação Vanzolini.

Algumas das inovações citadas pelos especialistas parecem pinçadas de filmes de ficção científica. Outras, no entanto, já começam a ser aplicadas mundo afora, inclusive no Brasil.

VEÍCULOS TECNOLÓGICOS

Sistema de carregamento autônomo da Vision Van, conceito da Mercedes-Benz.

Caminhões autônomos prometem revolucionar o transporte de carga. A tecnologia permitirá que o caminhoneiro descanse durante o trajeto, reduzindo o tempo de viagem e o risco de acidentes.

Veículos 100% elétricos, com até 1000 km de autonomia e recarga rápida, farão o custo do transporte cair substancialmente. Nos caminhões a diesel, cerca de 50% do frete se deve ao gasto com combustível.

Por dentro, caminhões e vans serão equipados com tecnologia de ponta: a organização dos volumes que devem ser entregues será inteiramente automatizada, como mostra o conceito Vision Van, da Mercedes-Benz.

Além de evitar erros, o sistema vai reduzir o tempo que os veículos permanecem estacionados em cada parada.

 

FÁBRICAS INTELIGENTES

A internet das coisas chegará definitivamente ao chão de fábrica. Armazéns equipados com esteiras, empilhadeiras e depósitos automatizados receberão caminhões também robotizados no despacho dos produtos não será mais controlado pelos funcionários, mas por sistemas computadorizados.

A automação promete aprimorar o planejamento dos processos industriais, baixar custos e reduzir erros de previsão. Com isso, os estoques serão menores e vão demandar armazéns de dimensões mais reduzidas.

Nos depósitos compartilhados, a automação permitirá que vários itens de fabricantes diferentes sejam despachados em um único pacote, como já ocorre nos 70 centros de distribuição da Amazon nos Estados Unidos.

DISTRIBUIÇÃO PULVERIZADA

Os centros de distribuição gigantes estão com os dias contados, apostam os especialistas.

A tendência é que eles deem lugar a condomínios logísticos menores que atendam ao mercado local, permitindo entregas mais rápidas, muitas vezes no mesmo dia da compra.

 

DRONES

No Brasil, caixas de até 2 kg respondem por cerca de metade das entregas de e-commerces, sem contar os deliveries do setor de alimentação.

Essas características de mercado abrem oportunidades ao uso de drones. Para que dê certo, essa alternativa precisa driblar suas limitações, como restrições de uso em dias de chuva ou vento forte, e atuar sem prejudicar o espaço aéreo.

NOVOS PROFISSIONAIS

A logística do futuro vai depender de profissionais com formação mais ampla. Atualmente, empresas de logística que já adotam tecnologia de ponta têm buscado capital humano no exterior.

Os novos gestores serão responsáveis por toda a cadeia, da armazenagem à distribuição, e deles será exigida maior capacidade de análise das situações.

Serão verdadeiros cientistas de dados, que dominam estatística matemática aplicada ao negócio e novas tecnologias.

 

TRANSPORTE COMPARTILHADO

Tráfego de caminhões em direção ao porto de Santos.

Nas estradas, vão proliferar os aplicativos mobile, já em operação no Brasil, que colocam os clientes diretamente em contato com os donos dos caminhões.

Eles funcionam como um Uber para o setor de carga e evitam que os caminhões trafeguem vazios.

A mesma tendência se aplica ao transporte urbano de mercadorias.

Aplicativos como o Eu Entrego conectam pessoas físicas ou jurídicas a entregadores autônomos, que atuam em grandes centros e fazem o serviço de carro, de bicicleta ou a pé.

 

USO INTELIGENTE DE DADOS

Caminhoneiro consulta aplicativo da empresa Cargo X

 

Informações coletadas pelos aplicativos de transporte se tornam ferramentas cada vez mais importantes para o planejamento das entregas nos grandes centros.

Ao saber onde estão os nós no trânsito, é possível reprogramar roteiros.

Lançado em outubro, o Índice 99 de Tempo de Viagem (ITV 99) já monitora os congestionamentos em São Paulo e, em breve, chegará a outras cidades.

A empresa acredita que os dados possam até mesmo subsidiar mudanças na política de transporte público.

Fonte: Folha de São Paulo

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