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Alta da inflação no Brasil pressiona cadeia produtiva nacional

Written by Redação Logcomex | 28.2.2025

A inflação brasileira dá sinais claros de aceleração, conforme revelado pelos dados mais recentes do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O indicador registrou avanço de 1,06% em fevereiro, um salto significativo em comparação aos 0,27% observados em janeiro. O índice acumula alta de 1,33% no ano e 8,44% nos últimos 12 meses, confirmando a tendência de pressão inflacionária.

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede a variação de preços no atacado, acelerou para 1,17% em fevereiro, ante 0,24% no mês anterior. 

Segundo análise da FGV, produtos como ovos e café, tanto torrado e moído quanto em grão, se destacaram nas altas, impulsionados pelas elevadas temperaturas que reduziram a produtividade e limitaram a oferta. Além disso, a proximidade da Quaresma intensificou a pressão sobre itens alimentícios, especialmente aqueles com disponibilidade já restrita.

Paralelamente à alta do café, é importante compreender sua produção nacional. Segundo a Logcomex, a exportação de café em 2024 teve um aumento considerável na sua produção, com um crescimento de 54,9% no seu valor FOB em relação ao ano anterior, que foi de US$ 11,33 bilhões. 

O estado de Minas Gerais destacou-se, com 69% das exportações, seguido pelo Espirito Santo, com 18%. O grão foi para os Estados Unidos, com 17% do envio, seguido por Alemanha e Bélgica, com 16% e 10%, respectivamente.

Esta aceleração inflacionária tem impacto direto na cadeia produtiva nacional. A elevação de preços no atacado pressiona os custos de produção em diversos setores, criando um efeito cascata que eventualmente atinge o consumidor final. 

Empresas enfrentam margens de lucro mais apertadas e frequentemente repassam esses aumentos, o que dificulta a retomada do consumo e o crescimento econômico sustentável.

A alta dos insumos básicos compromete particularmente os pequenos e médios produtores, que possuem menor poder de barganha com fornecedores e dificuldade para absorver aumentos de custos. O cenário é agravado pelos efeitos climáticos adversos, que têm afetado a produção agrícola e elevado preços de alimentos básicos.

Para o mercado financeiro, a confirmação da aceleração inflacionária reforça as expectativas de novos aumentos na taxa Selic pelo Banco Central, como forma de conter o avanço dos preços. 

Este movimento, embora necessário para o controle inflacionário, tende a encarecer o crédito e desacelerar investimentos produtivos, gerando um ciclo desafiador para a economia brasileira.