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Brasil realizará leilão inédito de áreas minerárias

Written by Redação Logcomex | 18.3.2025

O Brasil se prepara para um marco no setor mineral: pela primeira vez, áreas para exploração de minérios serão leiloadas na B3, a bolsa de valores do país. Previsto para o segundo semestre de 2025, o leilão pode arrecadar mais de R$ 300 milhões e atrair investimentos para um setor que já movimenta bilhões. A iniciativa da Agência Nacional de Mineração (ANM) busca acelerar concessões e ampliar a produção de minerais estratégicos, como terras raras e lítio, essenciais para a transição energética global.

Um novo modelo para a mineração

O leilão inovará a oferta de áreas minerárias no Brasil. No primeiro evento, serão leiloadas 7 mil áreas, e até 105 mil poderão ser ofertadas ao longo de cinco anos. A exigência de garantias financeiras para participação ajudará a afastar especuladores e atrair investidores sérios.

Atualmente, a liberação de áreas minerárias ocorre por meio de um sistema burocrático, que muitas vezes causa atrasos. Com a entrada da B3, o processo promete ser mais ágil e transparente, facilitando investimentos e trazendo previsibilidade para o setor.

A medida vem em um momento de readequação do mercado global de produção de minério. Com as tarifas de importação sendo distribuídas entre Estados Unidos e seus principais parceiros comerciais, o Brasil pode se valer de novos mercado para destinar suas produções

No ano de 2024, segundo a Logcomex, o Brasil exportou um total de US$ 37,15 bilhões de minerais metálicos e minerais não-metálicos. Destacam-se, dentre as exportações, o minério de ferro (NCM 2601.11.00), com US$ 26,57 bilhões de valor FOB, e minério de cobre (NCM 2603.00.90), com o FOB de US$ 2,93 bilhões.

Vale ressaltar que, ainda de acordo com a Logcomex, os estados do Pará, Minas Gerais e Espirito Santo foram os principais UFs produtores dos minérios. Quanto aos destinos, China, com 57%, e Estados Unidos, com 5%, são os principais países adquirentes das exportações brasileiras. 

O leilão na B3 inclui áreas com potencial para minerais críticos, como lítio e terras raras, essenciais para baterias, semicondutores e turbinas eólicas. Com suas vastas reservas, o Brasil pode se tornar um grande fornecedor desses insumos, reduzindo a dependência global de países como China e Austrália.

Nos últimos anos, a demanda por esses minerais cresceu com a transição energética e a expansão dos veículos elétricos. O leilão pode abrir novas oportunidades para exploração sustentável e fortalecer a posição do Brasil no mercado global de energia renovável.

O sucesso do leilão dependerá da adesão das mineradoras e da atratividade das áreas ofertadas. Se bem-sucedido, o modelo pode ser ampliado, modernizando a concessão de direitos minerários no país.

Além da arrecadação, espera-se um impacto positivo na geração de empregos e no desenvolvimento regional. No longo prazo, a iniciativa pode fortalecer ainda mais o Brasil como potência mineral, ao mesmo tempo em que desafia o país a avançar em sustentabilidade e responsabilidade socioambiental.