COVID-19 e as mudanças no Comércio Exterior

Quando o primeiro caso de COVID-19 foi registrado na China, ninguém imaginou o tamanho das consequências que esse vírus traria para o mundo. Não demorou muito tempo: antes mesmo dos primeiros registros brasileiros da doença, o país já sentia os efeitos e mal se sabia que eles não teriam previsão para passar. 

O início de tudo

1. Fábricas suspendem produção no Brasil

Quando o gigante asiático implementou as medidas de isolamento e todas as atividades foram suspensas, fábricas brasileiras precisaram pausar suas operações por falta de peças importadas e oferecer férias coletivas aos seus colaboradores. Logo o mundo se viu totalmente dependente de sua fábrica — a China

2. Rotas omitidas, voos cancelados e aumento do frete internacional

Com a grande desaceleração econômica, diversos voos foram cancelados, armadores omitiam portos e, como sugere a lei da oferta e demanda, o valor do frete internacional subia sem previsão de retroceder. 

3. Escassez de contêineres

E por falar em desequilíbrio entre oferta e demanda, presenciou-se mais um gargalo logístico: a falta de container disponível, o que exigiu que muitas empresas desenvolvessem estratégias para contornar a situação. 

Quais foram as mudanças no Comércio Exterior?

Esses gargalos logísticos que estavam escondidos (antes da pandemia) foram expostos e até hoje seguem desafiando os profissionais de Comércio Exterior nas rotinas mais comuns, desde fazer uma simples reserva com um armador até o pagamento de novas taxas e o aumento constante no valor do frete internacional. 

Sabe-se que muita coisa mudou na rotina do Comex — em curto, médio e longo prazo — e a mudança dos hábitos de consumo faz com que todas as áreas da economia sejam influenciadas, principalmente quando essas mudanças se dão a nível mundial. 



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Diversas medidas de desburocratização no Comércio Exterior foram implementadas para facilitar a importação de bens necessários ao combate da COVID-19, paralelas à proibição de exportação destes mesmos produtos que combatem a doença para suprir a demanda nacional. Vamos relembrar:

1. Comunicação e Trabalho Remoto

Com as medidas de isolamento nos estados brasileiros, muitas empresas precisaram desenvolver novas estratégias de comunicação, pois visitas e viagens corporativas não eram mais possíveis. 

As visitas presenciais foram substituídas por videoconferências e diversas empresas e profissionais criaram redes sociais, aumentando consideravelmente o conteúdo e informações relevantes sobre a área. Como resultado, as informações passaram a chegar muito mais rapidamente aos clientes, parceiros e envolvidos nas operações. 

Os profissionais de Comex não estavam acostumados a trabalhar remotamente, mas muitas empresas aderiram ao Home Office para manter os colaboradores seguros e longe da COVID-19. 

O Home Office aumentou consideravelmente as compras online, impulsionando o e-commerce brasileiro e as importações para essa finalidade.

2. Desburocratização e facilidades

Como se viu, diversas medidas de desburocratização criadas se intensificaram na pandemia, como:

  • Aceitação de documentos digitalizados;
  • Redução de Imposto de Importação para produtos de enfrentamento a COVID-19;
  • Prorrogação excepcional de prazos para operações de drawback;
  • Ativação da DUIMP no Portal Único do Comércio Exterior;
  • Novas funcionalidades da DU-E no Portal Único do Comércio Exterior;
  • Testes do CCT (Controle de Carga e Trânsito) para agentes de carga;
  • Desligamento do SISCOSERV.

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3. Aceleração da tecnologia

Houve uma aceleração tecnológica muito grande durante a pandemia para toda a população e, naturalmente, para o setor de Comércio Exterior. 

Isso porque o aceite e até a demanda por parte dos profissionais e empresas aumentou bastante. 

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4. Logística

A pandemia escancarou uma grande crise na logística internacional. Com fretes altíssimos e rotas desassistidas, o Brasil — que não faz parte das principais rotas mundiais — foi um grande prejudicado.

Mas não é só o Brasil que está enfrentando esses desafios: com a chegada da época de compras nos Estados Unidos (Black Friday e Natal), varejistas e produtores se preocupam se os produtos chegarão a tempo no país.

Sem mencionar que a China enfrenta adversidades naturais, uma nova variante da COVID-19 e registra grandes congestionamentos de navios e caminhões em seus portos. Portanto, não há previsão de estabilidade para a logística internacional.  

Tendências para os próximos anos

Com o aumento do frete internacional, uma das tendências é a integração regional. Ou seja, mesmo que o produto seja mais caro, empresas de diferentes países podem preferir realizar suas compras em países mais próximos geograficamente e com o frete internacional mais barato, diversificando assim mercados e utilizando determinados blocos econômicos.

Além disso, o e-commerce deve aumentar ainda mais no Brasil e no mundo, portanto é uma boa oportunidade para importação e exportação de produtos. 

A tecnologia continuará caminhando junto com Comex 4.0 e trazendo ainda mais agilidade, facilidade e fomentando o mercado de Comércio Exterior e Logística Internacional. 

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