A indústria farmacêutica chinesa alcançou um marco significativo com o lançamento do ivonescimabe, um medicamento inovador para o tratamento do câncer de pulmão. Desenvolvido por uma empresa de biotecnologia do país asiático, o ivonescimabe demonstrou resultados superiores ao medicamento alemão Keytruda, até então líder mundial em vendas. Em testes clínicos realizados na China, pacientes tratados com ivonescimabe apresentaram uma média de 11,1 meses sem progressão tumoral, em comparação aos 5,8 meses observados com o uso do Keytruda.
Essa conquista reflete a evolução das empresas chinesas de biotecnologia, que passaram de replicadoras de medicamentos existentes para desenvolvedoras de terapias inovadoras. Nos últimos anos, a China tem se consolidado como um centro de inovação biomédica, firmando acordos bilionários e aumentando significativamente o número de licenças de medicamentos.
No contexto brasileiro, a dependência de insumos farmacêuticos importados é notável. Segundo a Logcomex, o ano de 2024 registrou um aumento de 12,1% nas importações de produtos farmacêuticos no Brasil, alcançando um valor FOB de US$ 13,42 bilhões. Essa dependência expõe o Brasil a riscos relacionados a variações cambiais, instabilidades políticas nos países fornecedores e possíveis interrupções na cadeia global de suprimentos, sobretudo em eventuais crises aéreas, modal responsável por 72% das importações farmacêuticas.
A introdução do ivonescimabe no mercado global pode impactar diretamente as importações brasileiras de medicamentos.
Ainda de acordo com a Logcomex, os Estados Unidos ainda são os principais fornecedores de insumos farmacêuticos para o Brasil, com o equivalente a 14% de todas as importações, seguidos acirradamente pela Alemanha, com 13,9%, ao passo que a Suíça encontra-se na terceira posição, com 9% das importações. A China, até o ano de 2024, ficou na 7ª posição, com 6% do market share.