A Autoridade Portuária de Santos (APS) publicou nesta semana o edital de licitação para contratação do serviço de derrocamento (retirada de rochas) do canal do Porto de Santos. A atividade é a primeira etapa para o aprofundamento do acesso para 16 metros, o que permitirá o recebimento de navios maiores no complexo portuário.
A empresa contratada ficará responsável por fazer desde os projetos básico e executivo até a efetiva retirada das pedras que estão no fundo do canal de navegação.
Segundo estudo encomendado pela APS, são 31 pontos existentes na infraestrutura aquaviária do porto, incluindo canal de navegação, áreas de acesso e berços de atracação, onde há rochas que impedem o aprofundamento.
O Centro Nacional de Navegação Transatlântica (Centronave), que representa armadores de longo curso, estima um prejuízo anual da ordem de US$ 21 bilhões para o comércio exterior brasileiro em razão da incapacidade do Porto de Santos de receber com regularidade porta-contêineres com 366 metros.
A vencedora da licitação terá 18 meses para fazer a retirada mecânica de cerca de 10 mil metros cúbicos de rochas. A derrocagem deverá levar a profundidade dos pontos do estuário santista para 16,5 metros. Métodos e equipamentos a serem usados deverão ser definidos nos projetos básico e executivo pela própria contratada.
O objetivo da autoridade portuária é entregar em 2026 o aprofundamento de todo o canal de navegação do porto.
O Porto de Santos é o principal porto do Brasil em valor de cargas movimentadas, tanto em importação quanto em exportação.
Segundo dados da Logcomex, o complexo respondeu por 34% de todas as cargas brasileiras destinadas a outros países por via marítima entre janeiro e setembro de 2024.
Os principais produtos exportados pelo Porto de Santos nos nove primeiros meses deste ano, em valor (FOB), foram:
No sentido inverso, de todas as cargas estrangeiras que entraram no Brasil via portos entre janeiro e setembro de 2024, 37% o fizeram pelo terminal santista.
Os principais produtos importados pelo Porto de Santos nos nove primeiros meses do ano, em valor (FOB), foram:
Especialistas do setor consideram que, apesar dos investimentos recentes, o Porto de Santos está atrasado em cerca de cinco a dez anos em relação aos terminais mais avançados do mundo no que diz respeito à automação das operações e digitalização de processos.
Portos como o de Roterdã, na Holanda, já contam com terminais operados remotamente, sem a presença de trabalhadores. No Brasil, o Porto de Itapoá (SC), já começou a usar a modalidade.