O Brasil, na presidência rotativa do BRICS em 2025, coordenou recentemente reuniões técnicas virtuais do Grupo de Contato sobre Questões Econômicas e Comerciais (CGETI). Esses encontros, liderados pelos Ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e das Relações Exteriores (MRE), concentraram-se em três temas principais:
- Negociação da Estratégia de Parceria Econômica do BRICS para 2026-2030: Atualização do documento estratégico que orienta a cooperação econômica do bloco, abrangendo comércio, investimento, finanças, economia digital e desenvolvimento sustentável.
- Fortalecimento do Sistema Multilateral de Comércio com a OMC no centro: Discussões sobre a elaboração de uma declaração conjunta que reitere o apoio político dos membros do BRICS à reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC) e ao fortalecimento do sistema multilateral de comércio.
- Políticas para alavancar a economia de dados entre os países membros: Debates sobre a importância da economia de dados na economia digital do bloco, com propostas para aprimorar o fluxo de dados entre os países do BRICS, reconhecendo sua relevância para a economia digital.
Essas iniciativas têm impactos significativos para o comércio exterior brasileiro:
- Ampliação de mercados: A atualização da Estratégia de Parceria Econômica pode abrir novas oportunidades para produtos e serviços brasileiros nos países membros, diversificando destinos de exportação.
- Fortalecimento do multilateralismo: Ao apoiar a reforma da OMC, o Brasil contribui para um sistema de comércio mais justo e equilibrado, beneficiando exportadores e importadores nacionais.
- Economia digital: Melhorias no fluxo de dados entre os países do BRICS podem impulsionar empresas brasileiras de tecnologia e serviços digitais, facilitando sua inserção nos mercados dos países membros.
O Brasil obviamente busca manter fortes laços comerciais com os países do BRICS. Tanto os pioneiros, como África do Sul, China, Índia e Rússia, quanto os novos membros, como Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes, Etiópia e Irã, admitidos em 2024, negociam com o Brasil recorrentemente.
Segundo dados da Logcomex, a balança comercial entre o Brasil e os demais países integrantes do bloco do BRICS, ao longo dos dois primeiros meses do ano de 2025, foi de um déficit de US$ 3,57 bilhões. As exportações somaram um valor FOB de US$ 14,2 bilhões, ao passo que importações chegaram a US$ 17,8 bilhões.
Principais NCMs exportados do Brasil para o BRICS:
- 2709.00.10: Óleos brutos de petróleo:
- FOB: US$ 2,80 bilhões (-31% em relação ao mesmo período de 2024)
- 2601.11.00: Minérios de ferro:
- FOB: US$ 2,56 bilhões (-31% em relação ao mesmo período de 2024)
- 1201.90.00: Soja:
- FOB: US$ 2,35 bilhões (-29% em relação ao mesmo período de 2024)
- 0202.30.00: Carne desossada de bovino:
- FOB: US$ 995 milhões (-5% em relação ao mesmo período de 2024)
- 4703.29.00: Pastas químicas de madeira:
- FOB: US$ 750 milhões (+31% em relação ao mesmo período de 2024)
De acordo com a Logcomex, dentre os 9 demais países principais do bloco do BRICS, os destinos das exportações brasileiras foram: China (76%), Índia (7%) e Egito (4%).
Principais NCMs importados pelo Brasil do BRICS:
- 8905.20.00: Plataformas de perfuração:
- FOB: US$ 2,66 bilhões
- 2710.19.21: Gasóleo:
- FOB: US$ 1,01 bilhões (+2% em relação ao mesmo período de 2024)
- 8541.43.00: Células fotovoltaicas:
- FOB: US$ 384 milhões (-30% em relação ao mesmo período de 2024)
- 2709.00.10: Óleos brutos de petróleo:
- FOB: US$ 326 milhões (-2% em relação ao mesmo período de 2024)
- 8524.91.00: Outros suportes gravados:
- FOB: US$ 243 milhões (+27% em relação ao mesmo período de 2024)
A origem dos principais NCMs importados dentre os países do BRICS são: China (79%), Rússia (8%) e Índia (8%).
A presidência brasileira do BRICS reforça o compromisso do país com a cooperação internacional e a busca por um comércio global mais inclusivo e sustentável.