O futuro do câmbio no Comex: das redes SWIFT ao novo marco regulatório

O mercado de câmbio brasileiro vive um momento histórico. Com a entrada em vigor do novo pacote normativo do Banco Central em 2 de fevereiro de 2026, a fronteira entre as finanças tradicionais e os ativos digitais tornou-se formalmente estruturada. 

Para o comércio exterior, isso significa a substituição da incerteza pela eficiência regulada.

Como o Swift gpi coexiste com as novas liquidações digitais?

A rede Swift gpi (Global Payment Innovation) permanece como o padrão de interoperabilidade bancária, mas em 2026 ela não é mais a única via de alta performance. 

O sistema tradicional agora atua em convergência com trilhos digitais que permitem liquidação atômica e transparência total, forçando uma redução de custos operacionais que beneficia diretamente o fluxo de caixa das empresas de Comex.

O que muda com o Novo Marco Regulatório (Resoluções 519, 520 e 521)?

Publicadas em novembro de 2025 e com vigência plena a partir de fevereiro de 2026, estas normas representam a institucionalização definitiva do setor. 

Estamos em um estágio de implementação imediata, onde o compliance deve ser prioridade. Confira:

Resolução

Foco principal

Impacto prático no Comex

BCB nº 519

Autorização (VASPs)

Disciplina o rito de licenciamento para Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAVs).

BCB nº 520

Funcionamento e segregação

Define regras de governança e proíbe (Art. 28) a mistura de recursos de clientes com recursos próprios.

BCB nº 521

Integração ao mercado de câmbio

Altera a Res. 277 para permitir que ativos virtuais sejam equiparados e reportados como operações de câmbio.


Por que a Resolução 521/2025 é o "elo perdido" para a liquidação internacional?

Até a publicação da Resolução BCB nº 521/2025, a utilização de stablecoins no comércio exterior carecia de uma classificação clara nos reportes oficiais.

  • A mudança: Esta norma integra os ativos virtuais ao mercado de câmbio tradicional.
  • O benefício: Agora, operações via stablecoins podem ser reportadas sob a égide da Resolução 277/22, garantindo que a saída ou entrada de recursos via criptoativos tenha a mesma validade jurídica de um contrato de câmbio convencional.

Stablecoins no desembaraço aduaneiro

Existe um receio comum entre gestores: o uso de stablecoins para pagamentos pode travar o desembaraço aduaneiro?

A resposta é: Mito. O desembaraço aduaneiro é um processo focado na conferência da mercadoria e na conformidade dos documentos fiscais (Fatura Comercial, Packing List e DI/DUIMP).

A liquidação financeira, seja via SWIFT ou ativos virtuais, ocorre em uma esfera distinta.

Desde que a operação seja reportada sob a Resolução 521/2025, o uso de stablecoins tem a mesma validade jurídica de um contrato de câmbio tradicional e não interfere na liberação da carga junto à Receita Federal.

O "medo" do bloqueio é dissipado pela conformidade regulatória que equipara os trilhos digitais aos convencionais.

Quais são os riscos e proteções na custódia de ativos digitais?

A segurança financeira em 2026 não depende apenas de tecnologia, mas de garantias jurídicas sólidas.

1. Segregação Patrimonial (Res. 520, Art. 28)

As SPSAVs são proibidas de misturar o capital da empresa com os ativos dos clientes. Em caso de insolvência da corretora, os ativos virtuais da sua operação de Comex permanecem protegidos.

2. Risco Regulatório e Político

O monitoramento do PDL 1007/2025 (tentativa de sustar as resoluções do BCB) mostra que a empresa deve estar atenta à estabilidade normativa do setor.

3. Estabilidade Normativa e PL 4308/2024

Embora o monitoramento do PDL 1007/2025 seja necessário para acompanhar tentativas de sustar resoluções do BCB, o mercado olha com otimismo para a PL 4308/2024. 

Este projeto de lei em tramitação no Congresso visa dar ainda mais clareza ao uso de stablecoins para liquidação de bens e serviços, consolidando o Brasil como um ambiente seguro para negócios globais.

  1. Proof of Reserves (PoR)

O uso de stablecoins exige a verificação constante do lastro, garantindo que o ativo digital mantenha a paridade 1:1 com o dólar. As soluções da Logcomex utilizam o USDT (Tether) e USDC (Circle), ativos que passam por auditorias rigorosas e independentes. 

Ao priorizar essas moedas, garantimos que sua operação utilize apenas os ativos mais resilientes, auditados e alinhados às regras internacionais de transparência.

Conclusão

O cenário cambial de 2026 exige que o gestor de comércio exterior abandone métodos puramente manuais e integre-se a plataformas que já nasceram sob o novo arcabouço. 

Gerenciar a liquidez global agora significa dominar as interfaces do SCE-Crédito, as garantias da Resolução 520 e a agilidade das stablecoins reguladas pela Resolução 521.

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