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O que é stablecoin e como facilita o pagamento internacional?

Written by Redação Logcomex | 23.2.2026

Stablecoin, antes associada exclusivamente ao universo cripto, ocupa, agora, um espaço estratégico no debate sobre eficiência financeira – especialmente porque a burocracia dos pagamentos internacionais ainda é um entrave estrutural frente à digitalização extrema da logística.

Veja só: por um lado, cadeias de suprimentos, atualmente, são monitoradas em tempo real, assim como decisões operacionais são baseadas em dados e sistemas são integrados globalmente; no entanto, por outro, o fluxo financeiro que sustenta essas operações ainda depende, em grande parte, de processos bancários tradicionais, múltiplos intermediários e prazos que não acompanham a velocidade da logística.

Esse desalinhamento é um gargalo substancial nas operações. Impacta fluxo de caixa, posterga liberações de carga e adiciona incerteza a movimentos que exigem previsibilidade.

Mas, felizmente, há uma solução que supera essas barreiras e vem ganhando popularidade no comércio exterior – justamente a stablecoin.

Para entender por que a stablecoin ganhou relevância, é necessário diferenciá-la de uma criptomoeda comum, como Bitcoin, Ethereum e outras.

Enquanto criptomoedas comuns são marcadas por forte volatilidade, a stablecoin é um ativo digital estruturado para manter paridade com uma moeda fiduciária, normalmente em proporção 1:1 com o dólar.

Essa estabilidade é o que a torna adequada para liquidação de pagamentos internacionais, pois elimina o risco de oscilações abruptas entre o envio e o recebimento do valor.

O que está em curso não é apenas uma inovação tecnológica, mas uma mudança de posicionamento. Stablecoins estão sendo incorporadas a estratégias corporativas porque respondem a uma necessidade prática: reduzir fricção, tempo e custo nas transações internacionais.

Em um cenário em que eficiência logística já é premissa, a eficiência financeira será o próximo diferencial competitivo – e a stablecoin está se consolidando como parte dessa infraestrutura.

O que é stablecoin e como ela funciona?

Para compreender o papel da stablecoin no comércio exterior, é necessário partir de sua definição técnica. Stablecoin é um ativo digital que foi estruturado para manter valor estável em relação a uma moeda fiduciária, normalmente o dólar americano.

Diferentemente de outros criptoativos, cuja principal característica é a oscilação acentuada de preço, a stablecoin é concebida como instrumento de liquidação e transferência com previsibilidade de valor.

Ela opera sobre blockchain, o que significa que as transações são registradas de forma distribuída, auditável e com liquidação rápida. O modelo econômico que sustenta sua estabilidade é o seu maior diferencial.

Qual é a diferença entre criptomoedas voláteis e moedas estáveis? 

Uma das características principais das criptomoedas tradicionais é a variação brusca de preço. Tal volatilidade tem origem em fatores como oferta limitada, especulação intensa e ausência de lastro direto em ativos tradicionais. Como consequência, elas se consolidaram mais como instrumentos de investimento do que como meios de pagamento.

Uma vez que operações internacionais envolvem contratos, prazos, margens estreitas e compromissos financeiros definidos em moeda fiduciária, um importador que enviasse pagamento em um ativo altamente volátil poderia enfrentar uma variação significativa de valor entre o momento da transferência e a liquidação efetiva.

Logo, o risco cambial adicional tornou inviável o uso de criptomoedas voláteis no fluxo regular do Comex, visto que a previsibilidade é um elemento central em transações internacionais e ativos com oscilação abrupta não atendiam a esse requisito.

Já stablecoins são classificadas como criptomoedas estáveis, pois mantêm paridade com moedas fiduciárias e reduzem a volatilidade que marcou os primeiros criptoativos, passando a oferecer:

  • previsibilidade no valor transferido;
  • eliminação da volatilidade típica do mercado cripto;
  • adequação ao uso corporativo e contratual;
  • compatibilidade com a lógica financeira tradicional.

Essa estabilidade foi o fator que transformou a stablecoin em ferramenta aplicável ao pagamento internacional.


Como a stablecoin mantém paridade?

O mecanismo de paridade é o elemento que sustenta a estabilidade da stablecoin.

Em modelos mais comuns, cada unidade emitida é lastreada por reservas mantidas pelo emissor, normalmente em ativos de alta liquidez, como moeda fiduciária ou títulos públicos de curto prazo.

O funcionamento é estruturado da seguinte forma:

  • a emissão ocorre mediante depósito equivalente em reservas;
  • cada token representa uma fração correspondente desse lastro;
  • a recompra ou queima reduz a oferta quando necessário.

Esse modelo busca garantir que a quantidade de stablecoins em circulação esteja alinhada com o valor mantido em reserva, preservando a paridade 1:1.

Além disso, emissores relevantes operam sob estruturas de auditoria e transparência, publicando relatórios periódicos sobre suas reservas, o que sustenta a confiança institucional no ativo.

O resultado é um instrumento digital que combina:

  • liquidação rápida da blockchain;
  • previsibilidade de valor da moeda fiduciária;
  • redução de intermediários no pagamento internacional.

Essa combinação explica por que a stablecoin, junto ao uso de blockchain no comércio exterior, passou a ser considerada uma camada adicional de infraestrutura financeira para operações globais.

Por que o pagamento internacional tradicional é lento e caro?

Para entender o avanço das stablecoins no comércio exterior, é preciso, também, analisar a estrutura que historicamente sustentou os pagamentos internacionais.

O sistema tradicional é baseado em redes bancárias globais interconectadas, especialmente o modelo operacional da SWIFT.

Embora tenha sido eficiente por décadas, esse modelo apresenta limitações que se tornaram mais evidentes em um ambiente de logística digital e cadeias de suprimentos aceleradas.

Por que o sistema SWIFT demora até 5 dias?

O sistema SWIFT é uma rede de mensagens financeiras. Ele não liquida diretamente o pagamento, mas transmite instruções entre bancos. A liquidação efetiva depende de bancos correspondentes ao longo do caminho.

Esse modelo implica:

  • processamento que pode levar de 2 a 5 dias úteis;
  • participação de múltiplos bancos intermediários;
  • dependência de horários bancários e fusos distintos;
  • pouca visibilidade sobre o estágio real da transação.

Para o importador, isso significa que o pagamento pode ter sido iniciado, mas a confirmação efetiva ainda não ocorreu.

A previsibilidade é limitada, a operação financeira permanece opaca até a compensação final e a demora cria desalinhamento entre o fluxo físico da mercadoria e o fluxo financeiro.

Quais são os custos ocultos do pagamento internacional tradicional? 

Além do prazo, o modelo tradicional envolve custos que nem sempre são transparentes no momento da contratação. Entre os principais estão:

  • taxas cobradas por bancos correspondentes;
  • tarifas administrativas adicionais;
  • spreads cambiais elevados embutidos na conversão de moeda;
  • custos indiretos relacionados ao tempo de processamento.

O spread cambial, em especial, representa uma parcela significativa do custo total da operação. Ele é aplicado sobre o valor da moeda estrangeira e pode variar conforme instituição financeira e volume negociado.

Para empresas que operam com margens estreitas, esses custos impactam diretamente a competitividade.

O impacto do atraso financeiro na logística internacional

O atraso no pagamento internacional tem efeito direto sobre a cadeia logística. Em muitas operações, a liberação da carga depende da confirmação de pagamento ao exportador.

Quando o valor não é liquidado com agilidade, a mercadoria pode permanecer retida no porto ou terminal.

Esse cenário gera riscos como:

  • demora na liberação de carga;
  • cobrança de demurrage;
  • custos de armazenagem no terminal;
  • impacto no planejamento de estoque e produção.

Sendo assim, a fricção financeira afeta a eficiência operacional, e a lentidão do sistema tradicional pode prejudicar negócios que demandam agilidade.

É nesse ponto que alternativas digitais começam a ganhar espaço como solução para alinhar velocidade financeira à velocidade logística.

Como a stablecoin facilita o pagamento internacional na prática?

Stablecoin ganhou relevância no comércio exterior porque ela reduz fricções que foram estruturais no modelo tradicional de pagamentos internacionais. O ganho não é “conceitual”: ele é operacional.

Ao operar em blockchain e manter estabilidade de valor, a stablecoin assume o papel de instrumento de liquidação que encurta caminhos, reduz incertezas e melhora previsibilidade – três fatores que impactam diretamente o dia a dia de importadores e exportadores.

Redução drástica de intermediários

Como já explicado, no pagamento internacional tradicional, o fluxo financeiro depende de uma cadeia de bancos correspondentes. Nessa cadeia, cada elo adiciona tempo, custo e pontos de falha.

A stablecoin altera essa dinâmica porque a transferência é executada diretamente entre carteiras (wallets), com a infraestrutura de validação ocorrendo na rede blockchain.

Na prática, isso significa que o pagamento:

  • deixa de depender de múltiplos intermediários para “passar” de um país a outro;
  • não precisa seguir horários bancários ou janelas de compensação;
  • tende a liquidar em minutos, não em dias úteis.

O efeito para a empresa é direto. O importador adquire mais controle sobre o momento da liquidação, e o exportador reduz a incerteza sobre quando o valor será efetivamente recebido.

Ou seja: a stablecoin simplifica o caminho do dinheiro, e isso se traduz em eficiência.

Transparência e rastreabilidade total

Outro ponto crítico nos pagamentos tradicionais é a falta de visibilidade. Muitas vezes, o importador sabe que iniciou a remessa, mas não consegue enxergar com clareza em que estágio o pagamento está (nem qual intermediário está processando a transação naquele momento).

Em blockchain, a lógica muda. A transação é registrada de forma pública e verificável na rede. Isso cria rastreabilidade: o pagamento pode ser acompanhado por um identificador (hash), e seu status pode ser consultado conforme é validado.

Na prática, isso implica:

  • confirmação objetiva de que o pagamento foi enviado;
  • evidência de que a transação foi registrada na rede;
  • previsibilidade maior sobre a liquidação;
  • redução de disputas e “zonas cinzentas” entre as partes.

Para o comércio exterior, essa rastreabilidade melhora governança e reduz atritos operacionais.

Quando o financeiro opera com transparência, o fluxo logístico tende a sofrer menos interrupções – especialmente em etapas sensíveis, como liberação de carga, contratação de serviços e pagamento de fornecedores internacionais.

Em resumo, stablecoin facilita o pagamento internacional ao combinar dois ganhos que eram difíceis de obter ao mesmo tempo no modelo tradicional: liquidação mais direta e visibilidade real do processo.

 Como a stablecoin se integra à Logística 4.0?

A Logística 4.0 já é marcada por automação, integração de sistemas e visibilidade em tempo real. Processos que antes dependiam de e-mails e planilhas passaram a ser monitorados por plataformas digitais com dados estruturados.

No entanto, durante anos, o elo financeiro permaneceu mais lento do que o elo operacional.

A integração entre stablecoins e logística representa o alinhamento dessas duas camadas: quando o fluxo financeiro opera na mesma velocidade do fluxo físico da mercadoria, a cadeia de suprimentos se torna mais fluida.

Como a integração financeira acelera a cadeia de suprimentos?

No comércio exterior, diversas etapas dependem de confirmação de pagamento para avançar:

  • liberação de carga pelo exportador;
  • emissão de documentos finais;
  • pagamento de frete internacional;
  • quitação de taxas portuárias;
  • liquidação de serviços logísticos complementares.

Quando o pagamento internacional leva dias para ser compensado, o cronograma logístico pode ser afetado. A stablecoin reduz esse intervalo, permitindo que a confirmação financeira ocorra, como já mencionado, em minutos, e não em dias úteis.

Essa redução de tempo impacta diretamente:

  • planejamento de embarques
  • liberação mais rápida de contêineres
  • diminuição do risco de armazenagem adicional
  • maior previsibilidade no fluxo de estoque

A integração financeira não é apenas conveniência. Ela é eficiência operacional.

Quando usar stablecoin no comércio exterior?

Stablecoins já são utilizadas em diversos cenários concretos no comércio internacional. Trouxemos três exemplos.

1. Pagamento de fretes internacionais

Empresas podem liquidar valores de frete de forma mais rápida, reduzindo dependência de múltiplos intermediários bancários e acelerando a confirmação da operação.

2. Transferências para fornecedores de qualquer parte do mundo

Em rotas comerciais com alto volume, como Brasil–China, a agilidade na liquidação pode reduzir incertezas e melhorar a dinâmica de fornecimento.

3. Pagamento de taxas portuárias e serviços logísticos

Liquidações mais rápidas permitem evitar atrasos em liberações e reduzem riscos associados a custos adicionais, como demurrage.

 

Como Stablecoin melhora o poder de negociação?

No comércio internacional, condições de pagamento influenciam diretamente o poder de negociação. Empresas que conseguem pagar à vista e com rapidez costumam ter maior capacidade de negociar:

  • descontos comerciais;
  • prioridade em produção;
  • melhores condições logísticas;
  • maior flexibilidade contratual.

Quando o pagamento é previsível e rápido, o fornecedor reduz risco financeiro. Esse fator fortalece a posição do comprador.

A stablecoin, ao permitir liquidação ágil e estável, amplia essa capacidade de negociação, uma diferença estratégica relevante especialmente em mercados competitivos e com margens apertadas.

Stablecoin é segura e regulamentada para comércio exterior?

Apesar de todos os benefícios, a adoção de stablecoin no comércio exterior exige análise criteriosa de segurança jurídica, governança e conformidade regulatória.

Afinal, ainda que a tecnologia blockchain tenha sido concebida com alto nível de integridade estrutural, o uso corporativo não depende apenas da rede; depende do emissor, da jurisdição e da estrutura regulatória envolvida.

Para o importador, a questão central é ter clareza sobre quais são as regras de operação. Algumas perguntas essenciais podem ajudar nessa tarefa.

1 – “Quem é o emissor e como as reservas são estruturadas?”

Stablecoins não são emitidas por bancos centrais. Elas são emitidas por empresas privadas que mantêm reservas financeiras para sustentar a paridade com a moeda fiduciária.

Por isso, o importador deve observar:

  • quem é o emissor da stablecoin;
  • onde a empresa está registrada;
  • qual é o modelo de lastro adotado;
  • se há auditorias periódicas das reservas;
  • se relatórios de transparência são publicados regularmente.

A confiança institucional na stablecoin está diretamente relacionada à solidez dessas reservas e à governança do emissor.

2 – “Qual é a regulação aplicada?”

O ambiente regulatório global já reconhece a relevância das stablecoins. Diversas jurisdições estabeleceram marcos legais específicos para ativos digitais, incluindo exigências de transparência, segregação de reservas e compliance financeiro.

Para empresas que operam no comércio exterior, é essencial verificar:

  • se a stablecoin utilizada está em conformidade com normas da jurisdição de origem;
  • como ela se enquadra na legislação cambial local;
  • como será tratada contabilmente na empresa;
  • se o uso está alinhado às exigências de compliance e prevenção à lavagem de dinheiro (PLD/KYC).

A regulação, neste caso, é elemento de segurança. Stablecoins que operam sob supervisão adequada oferecem maior previsibilidade institucional.

3 – “Quais são os riscos envolvidos?”

Além da estrutura de lastro, o risco institucional está associado à governança do emissor, à segregação das reservas e à auditoria independente.

Em ambiente corporativo, a análise da qualidade dos ativos que compõem o lastro é tão relevante quanto a própria tecnologia utilizada.

Nesse sentido, embora a estabilidade seja característica central de stablecoins, devem ser considerados:

  • risco de emissor (solidez financeira da empresa que mantém o lastro);
  • risco regulatório (mudanças legislativas);
  • risco operacional (integração com sistemas internos);
  • risco de liquidez em determinadas jurisdições.

4 – “Como será a integração com compliance corporativo?”

Para o importador, a utilização de stablecoin não substitui controles internos. Ela deve estar integrada a:

  • políticas de compliance;
  • estrutura de governança financeira;
  • sistemas de controle contábil;
  • procedimentos de gestão de risco cambial.

Quando implementada dentro de uma arquitetura regulatória sólida e com parceiros confiáveis, a stablecoin é compatível com práticas corporativas robustas.

Conclusão

O pagamento internacional tradicional é marcado por prazos longos, intermediários sucessivos e pouca previsibilidade. Enquanto a logística evoluiu para um modelo digital e orientado por dados, o financeiro permaneceu, por muito tempo, como o elo mais lento da cadeia.

Mas a evolução tecnológica já mudou esse cenário. Stablecoins, câmbio digital e modelos integrados reduziram fricção, aceleraram liquidações e trouxeram mais transparência, aumentando agilidade financeira.

E a Conta Global Logcomex foi desenvolvida para empresas acompanharem esse movimento.

Como integrador tecnológico, a solução conecta negócios às principais rotas de pagamento – Dólar Digital (stablecoins), Câmbio Digital e SWIFT –, escolhendo automaticamente a alternativa mais eficiente com base em:

  • custo efetivo (spread e taxas);
  • urgência da liquidação;
  • capacidade de recebimento do fornecedor;
  • contexto da operação.

Entre os principais benefícios estão:

  • liquidação mais rápida, com operações que podem ser concluídas em minutos;
  • redução de custos cambiais, por meio da análise inteligente da melhor rota;
  • gestão centralizada, via aplicativo e painel de operações;
  • segurança bancária, com biometria, Face-ID e filtros rigorosos de compliance (KYC/KYB);
  • simplicidade operacional, sem necessidade de conhecimento técnico sobre blockchain.

O que antes era apenas uma etapa burocrática passa a ser uma alavanca de eficiência financeira. E será cada vez mais decisiva para empresas que competem globalmente.

Conheça a Conta Global Logcomex e transforme seus pagamentos internacionais em vantagem estratégica.