Petróleo, Comércio Internacional e as mais recentes consequências do isolamento social.

Petróleo, Comércio Internacional e as mais recentes consequências do isolamento social.

Com as medidas de isolamento realizadas como forma de combate á COVID-19, grande parte da cadeia produtiva e de transporte foi pausada, ou seja, o petróleo não está sendo consumido na mesma intensidade que o período de normalidade antecedente à pandemia, gerando um colapso em razão da baixa demanda e oferta (que não diminuiu).

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) realizou diversas negociações com a Rússia, visando a redução da produção de petróleo entre os países produtores para retomar este equilíbrio entre oferta e demanda. Após muitas tentativas fracassadas e retaliações por parte de membros da OPEP (que chegaram a aumentar suas produções), as negociações finalmente atingiram sucesso. No curto prazo, no entanto, o cenário foi caótico para os produtores da commodity, uma vez que não dispõem mais de espaço para armazenar o petróleo produzido.

Pela primeira vez na história, o contrato dos barris de petróleo West Texas Intermediate (WTI) operou negativamente, isto é, produtores estavam pagando para a retirada de barris de seus complexos. O petróleo Brent, por sua vez, também teve queda, porém não chegou a operar no negativo.

A brusca queda se deu porque investidores correram para vender seus Contratos Futuros que venceriam no dia subsequente – pelo simples motivo que nenhum investidor deseja receber um barril de petróleo em sua casa.

Dessa forma, o Contrato Futuro de maio (2021), que expirou em 21 de abril (2020), despencou dos 17,73 dólares da abertura para fechar negociado a -37,63 dólares o barril, aumentando os custos das produtoras para manter o bem em depósitos e armazéns.

As consequências desta brusca queda dos contratos de petróleo para o Comércio Internacional foram diversas, entre elas, o aumento do dólar em todos os mercados emergentes, gerando um novo recorde no Brasil, R$5,71.

As tensões também aumentaram entre Estados Unidos e Irã: após barcos Iranianos se aproximarem de embarcações americanas no Golfo Pérsico, o presidente Donald Trump ordenou destruir e atacar qualquer embarcação iraniana que se aproximasse dos navios americanos.

A tendência para os países produtores da commodity é aumentar a exportação, reduzindo ainda mais o valor da venda do petróleo e prejudicando nações, como o Brasil, cuja balança comercial depende disso.

 

Artigo escrito por Kauana Benthien A. Pacheco
Kauana tem seis anos de experiência no Comércio Exterior, é formada em Negócios Internacionais e cursa pós-graduação em Big Data & Market Intelligence. É criadora da página de conteúdo sobre Comércio Exterior, a ComexLand, onde escreve sobre Economia Global e Comércio Internacional.