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O princípio dos negócios internacionais é o respeito e adaptação que uma cultura possui em relação a outra. Em nações que o governo possui mais controle sobre a população, a cultura possui um peso ainda maior na hora da negociação internacional.

Um dos maiores entraves na internacionalização de empresas é a barreira cultural.  Costumes, tradições, religião e política podem decidir uma negociação internacional e até mudar uma cadeia logística. 

 

Busca por fornecedores, compradores e intermediários

A busca por fornecedores que ofereçam produtos com segurança e qualidade, é um desafio no comércio exterior, mesmo com toda tecnologia que possuímos hoje, muitas empresas valorizam conhecer suas parcerias pessoalmente, o que pode ajudar muita na negociação, mas também pode gerar um choque cultural muito grande. 

O Brasil é considerado um país receptivo para turismo de negócios, porém outros países possuem tradições muito fortes, e não são receptivos com pessoas que vem de fora para negociar, por isso é importante estar preparado para diferentes culturas. 

 

Como comprimentos podem mudar em diferentes países: 

  • Na cultura chinesa, o comprimento deve partir do anfitrião e não ao contrário.
  • Na cultura saudita, a mão esquerda é considerada suja e não deve ser utilizada para comprimentos.
  • Na Austrália, um aperto de mão é firmado no começo e no fim da reunião, o que muda, é que sempre deve partir da mulher, se não partir da mulher, pode ser dispensável. 
  • No Brasil, o comprimento pode ser um aperto de mão, e na sequência é simpático realizar um “small talk”, uma pequena conversa fora do tema principal do encontro.
  • Na Áustria, as pessoas são diretas e vetam qualquer tipo de small talk” , porém é importantíssimo reconhecer a posição da pessoa e seu cargo, ou seja, sempre que se referir a pessoa utilizar nomenclaturas: Dr, prof, diretor, mestre etc. Sempre enfatizando sua formação. 
  • Na cultura japonesa, não há contato físico, abaixa-se o rosto indicando respeito. 

 

Além disso, os países possuem diferentes objetivos ao realizar uma negociação, como: Competência, preços competitivos, relações duradouras, integração com a cultura. Por isso, é necessário entender qual é o pensamento do país cujo a negociação será feita.

 


Logística

A cultura é capaz de transformar uma operação logística inteira, um ótimo exemplo disso, são alguns frigoríficos paranaenses que exportam para países árabes. Para concretizar a negociação, os importadores exigem que os frangos sejam abatidos de um modo indolor em um local voltado para meca e com frases religiosas em placas no local de abate. Nesse caso, a religião interfere na estrutura do exportador. 

Os modais de transporte também podem ser influenciados, alguns países preferem o transporte ferroviário, enquanto outros não possuem malha ferroviária por problemas econômicos.

Marcas de carro inglesas e japonesas mesmo tendo como padrão a direção no lado direito do carro, fabricam carros para exportação com a direção no lado esquerdo, para conseguirem atingir mercados onde o padrão é outro. Nesse caso, é um fator histórico, pois até o final do século XVIII cavalheiros andavam no lado esquerdo para segurar a espada com a mão direita.

Algumas culturas, como a alemã e a inglesa, são rígidas com prazos e horários. Já em outras tradições atrasos são considerados normais, gerando uma demora maior nos embarques das cargas e nas emissões das documentações. Nesse caso, é um fator de costumes ou até a infraestrutura do país pode influenciar. 

 


Pagamentos

Diferentes culturas possuem diferentes formas de pagamento, algumas culturas costumam barganhar pelo melhor preço, outros preferem a qualidade do produto e não se importam tanto com o preço. 

Outro fator que a cultura influência é no frete internacional, alguns agentes internacionais negociam o pagamento do frete após o embarque (COLLECT), porém outros apenas aceitam o pagamento antes do embarque (PREPAID) como forma de garantir o pagamento.

 

Burocracia

Alguns países possuem dificuldades em entender e cooperar com burocracias externas, muitas vezes documentações especiais em embarques internacionais são necessárias e há uma enorme dificuldade da emissão correta dessas documentações. 

No comércio internacional isso pode gerar um efeito cascata, complicando toda a operação logística e gerando ainda mais burocracias. Os casos mais comuns de documentações que chegam no Brasil de forma incorreta são: invoice, conhecimento de embarque, certificado de origem e documentos sem assinatura.

 

Amostras: Algumas exportadoras em determinados países não possuem ciência que é proibido o envio de amostra sem a declaração, e enviam amostras do seu produto junto com a embarcação, gerando um sério problema no Brasil com divergência de peso e valores entre carga e documentações
Descontos: Assim como nos casos das amostras, alguns países querem agradar o comprador e declaram um valor menor do que o correto da mercadoria, como forma de oferecer um desconto, porém essa prática é considerada fraude e o importador no Brasil 

pode pagar uma multa de 100% da diferença apurada, além de poder ter suas atividades suspensas no comércio exterior.


Conhecimento de embarque com a informação incorreta: O exportador é o responsável por emitir as documentações, porém muitas vezes, as documentações faltam informações ou possuem informações erradas.

Certificado de origem: Os importadores podem perder os benefício se não houver certificado que ateste a origem da carga. 

Documentos sem assinatura: Muitas vezes os documentos originais são recebidos sem assinatura no Brasil. 

 

Conclui-se que a adaptação e respeito às barreiras culturais são um fator essencial para toda a cadeia logística fluir corretamente, pois pode influenciar em diversos setores do comércio internacional. 

 

Esse conteúdo foi escrito por Kauana Pacheco.
Criadora da página de conteúdo de comércio exterior, ComexLand, Kauana tem cinco anos de experiência no comex, é formada em Negócios Internacionais e cursa pós graduação em Big Data & Market Intelligence.

Post Author: LogComex