Tecnologia no comércio exterior: onde está e para onde vai o setor?

Em tempos em que o avanço tecnológico se torna cada vez mais imperativo, a transformação radical nos processos e culturas das empresas ocorre de forma cada vez mais rápida e imprevisível. O setor de comex não fica de fora dessa lógica e a tecnologia no despacho aduaneiro é cada vez mais motivo de debate na área. A questão foi tema de debate no evento Logcomex Talks, entre Marcelo Neves, head de produtos na Logcomex, Eduardo Ferreira, CEO da Mainô e Rafael Gióia, CTO da Mainô.

Para você ficar por dentro de tudo que foi falado, fique ligado neste texto e confira o vídeo das palestras na íntegra. No texto, abordamos sobre a questão da inovação tecnológica, formas de otimização de processos, desenvolvimento dos sistemas e operações e os desafios que se desenham para digitalizar cada vez mais os processos de importação e exportação.

Inovação e tecnologia como norteador

No contexto da inovação tecnológica no comércio exterior, os processos de inovação ganham destaque. No mercado contemporâneo ela se torna central com a necessidade, além de captação e sedução de clientes, com o processo de fidelização. Este é o diferencial competitivo que faz a diferença. 

Por se tratar de um setor complexo, burocratizado, onde um erro pode custar caro para as empresas envolvidas, a inovação acontece de forma limitada. No entanto, Eduardo Ferreira ressalta que “Toda inovação tecnológica que coloca os dados disponíveis para serem consultados é muito bem vinda, porque ela cria um ecossistema de empresas ao redor que vão consumir essas informações, eliminar etapas e desburocratizar processos”.

Segundo Ferreira, uma das contradições no comércio exterior é a necessidade de inovar, mas com a menor margem para erros. O CEO também explica que existem técnicas para testar produtos e processos de inovação com segurança e garantindo controle. A inovação deve seguir parâmetros bem estabelecidos e de acordo com estudos, dados e projeções. 



“O primeiro passo é sempre estar inteirado das novidades, da pesquisa, do estudo e dos processos para compreender as etapas para inovar com as atualizações e prever possibilidades”, orienta. Eduardo lembra a importância de identificar o impacto da inovação em cada cadeia produtiva e em cada segmento, testando cada um deles para obter resultados reais. 

Melhorar o dia a dia: facilitar processos e operações

Um dos maiores desafios apontados na mesa é a necessidade de centralização de informações e processos em sistemas que minimizem a necessidade de intervenção humana. Rafael Gióia lembra que avanços já aconteceram, como a implementação das Application Programming Interface (APIs) pelo portal Siscomex e do uso de arquivos em formato xml, que pode ser lido e utilizado por programas e sistemas. 

“Essa é a grande ideia, que a gente consiga trabalhar com uma só ferramenta e gerir todos os processos. A gente precisa também trazer os dados que estão espalhados, a partir de uma comunicação de sistema para iniciar de um ponto zero. Esse seria o desafio. Unificar tudo facilita os processos e os dados”, afirma. 

Nova call to action

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Na mesma linha, Marcelo Neves aponta a centralização de informações de órgãos, considerando cada caso e cada produto, como um passo importante no setor. “O desafio é comunicação: processos e mercados para cada uma dessas frentes. Além do importador, exportador, despachante e agente de carga”, explica. Ele lembra que são muitos detalhes e exceções às normas, que variam muito em cada lugar e até em cada agente. A insegurança jurídica e as exceções são colocados como os grandes entraves para a automação. 

Segundo Neves, este é o trabalho implementado com a Logcomex e que se mostra um grande desafio: “centralizar tudo em um só lugar para conseguir facilitar a vida desses segmentos. A maior dificuldade é acompanhar todas as alterações e ter um time efetivo para atualizar a tempo esses processos e fluxos de informações em um único lugar”.

Por fim, o head conta que a junção e centralização de informações e processos em um só lugar “é um dos objetivos da Logcomex. Produto para despachante tracking, captando informações de locais diferentes para centralizar essas informações. Juntar todas as informações para os clientes”, afirma. 

Processos x Análises: o papel do ser humano e o da máquina

Segundo os palestrantes, o papel da tecnologia é assumir as funções operacionais, sistematizadas e de transferência de informação e deixar o trabalho humano para as questões mais analíticas, imprevisíveis e resolução de problemas. 

No entanto, Marcelo ressalta que um não substitui o outro. “É fazer a tecnologia facilitar e utilizar o despachante para atividades analíticas e efetivas e menos operacionais de análise de mercado, logística, tecnologia para fazer o processo ser fluido”.

O head acredita que hoje o grande gargalo são a falta de profissionais na área da tecnologia especializadas em comércio e exterior, já que essa especialização demanda qualificação específica. “O programador precisa ser criterioso, tem tempo de aprendizado, é um nicho específico. É necessário ter muita atenção porque os erros no comércio exterior são caros”, explica.  

Portanto, a capacitação torna-se elemento indispensável para evolução da relação entre tecnologia e comércio exterior. Como solução, o Neves sugere uma imersão do colaborador nas práticas da empresa, sua cultura e processos. “O que a gente faz bastante na Logcomex é um onboarding efetivo, mostrando os processos internos da empresa e dos clientes. Para trazer o funcionário para dentro do contexto de comex, conhecer e produzir tecnicamente dentro do sistema. A imersão faz isso acontecer, colocando ele dentro do dia dia e para que ele esteja inserido”, conta. 

Gestão de riscos: compliance é necessário

O avanço tecnológico e o manejo da informação em tempos onde os dados são cruciais, além da implementação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) fazem com que seja cada vez mais necessário serviços que auxiliem no respeito à legislação, entre eles o compliance. Segundo os palestrantes, a gestão de risco no momento das práticas de inovação bem como o auxílio sobre o que pode fugir às normas é muito importante. 

“Existem vários momentos críticos e que devem ser visíveis para todo mundo. É importante prever os problemas, minimizar os riscos. Erros podem custar caro, e você tem diversas formas de fazer o mesmo cálculo, depende do estado, do fiscal. Há a insegurança jurídica e tributária e quando a gente fala em tecnologia a gente tem que prever todas as formas. Se um estado faz diferente, é preciso considerar isso na programação”, exemplifica Marcelo.

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Por fim, Eduardo lembra que “tudo é tecnologia” e que existe muita demanda por trabalho humano em diversos setores, sendo necessário acompanhar as demandas e saber compreender as movimentações de mercado. O CEO vê um avanço na relação entre tecnologia e despacho: “o despachante está entendendo que é um profissional que saiba dialogar com todas as áreas que envolvem os processos, quem oferece mais solução ganham mais dinheiro com isso”. 

Rafael destaca a importância da capacitação do programador especialista, o que atualmente é um desafio no mercado.Ele defende a necessidade de capacitação para compreensão e análise dos dados e como eles podem ser utilizados para agregar valor e transformar os produtos de forma qualitativa. Para isso, explica que é necessária imersão e um trabalho que precisa de tempo e preparo. 

Marcelo lembra a necessidade de imersão dos profissionais da tecnologia no contexto do Comex para produzir inovação e avançar com criatividade para suprir as necessidades do despachante. Os profissionais estão prontos quantos sabem priorizar e encontrar a solução ao cliente.