Importação de petróleo: por que o Brasil importa o produto?

importação-de-petróleo-logcomex

Importação de petróleo: por que o Brasil importa o produto?

Acredite ou não, o volume de petróleo extraído no Brasil, por dia, gira em torno de 2,6 milhões de barris (UOL Economia). Esse número é expressivo em razão da descoberta do pré-sal brasileiro em 2006 pela Petrobras e sua exploração iniciada em 2010.

Com uma produção desse porte, seria possível imaginar que o Brasil fosse um país autossuficiente, ou seja, capaz de atender toda a demanda nacional de combustíveis.

Contudo, as importações de petróleo sofreram um aumento a partir de 1997 e vêm subindo ainda mais nos últimos anos.

Ora, por que será que o Brasil importa uma grande quantidade dessa commodity, mesmo sendo capaz de uma produção tão expressiva?

Parece não fazer muito sentido, mas continue sua leitura que vamos descobrir o motivo! 

Importações e exportações brasileiras de petróleo

Falando em números, em 2020 o Brasil importou 6,6 milhões de toneladas de petróleo a um preço total de US$ 2,6 bilhões. Relativo à exportação, 70 milhões de toneladas saíram do país a um preço total de US$ 19,6 milhões (Comexstat).

Os principais destinos foram China e Chile, seguidos de Índia, Estados Unidos e Peru.

Você deve ter percebido que o número de exportação é maior que o número de importação de petróleo, mas há um pequeno detalhe no qual devemos prestar atenção.

O preço médio recebido por kg exportado foi US$ 0,3. Por outro lado, o kg do petróleo importado custou US$ 0,4 (Comexstat).

Para analisar a diferença de valor, é importante levarmos em consideração a extensão continental do Brasil que também interfere nessa questão.

Em cidades muito distantes da região Sudeste, onde está concentrada a maior parte das refinarias brasileiras, a importação de petróleo estrangeiro é mais vantajosa para as distribuidoras.

Por exemplo, para uma companhia que distribui combustíveis no Maranhão é mais oportuno negociar o produto com uma refinaria estadunidense presente no Golfo do México do que comprar das refinarias nacionais.

Isso acontece porque o custo com transporte é mais barato dada a proximidade com o Golfo.

A diferença do petróleo importado e exportado

O valor do petróleo que vimos acima não é a única diferença entre o petróleo que é produzido no Brasil e o petróleo que é importado. Essa diferença se dá, também e principalmente, na qualidade e no refino do óleo.

Todo tipo de petróleo, bom ou ruim, deve passar por um processo de refino antes de virar combustível a ser utilizado nos meios de transporte. 

Nessa atividade de refino, o óleo passa por muitos processos químicos que acontecem em indústrias complexas e caras, com alta tecnologia. Com isso, quanto mais denso (pesado) o petróleo, mais complicado é o processo de refino.

E aqui entra o X da nossa questão: o petróleo extraído no Brasil é mais pesado e, portanto, mais difícil de refinar, ao mesmo tempo que é mais barato para venda. 

Por isso, ele precisa ser misturado com petróleo estrangeiro, mais leve, antes de ser utilizado, como afirmou Celso Grisi, da Fundação Instituto de Administração (FIA), “as refinarias brasileiras precisam misturar o óleo pesado nacional com o óleo leve importado para conseguir refinar”.

Contudo, o cenário brasileiro já foi pior: há cerca de 25 anos a Importação de petróleo era muito maior que a atual porque a tecnologia necessária para o refino era quase inexistente no Brasil, de modo que era necessário importar altas quantidades de petróleo estrangeiro com maior qualidade (mais leve) para ser misturado com o petróleo brasileiro de qualidade inferior (mais pesado).

Hoje, após a construção e a melhoria de diversas refinarias no Brasil, o país possui maiores habilidades para processar esse petróleo pesado, o que faz com que a necessidade de importar, ainda que existente, seja menor.

Ainda assim, a exportação de petróleo é bastante recorrente no Brasil. Isso acontece porque o petróleo nacional, mais denso e mais barato, o torna ideal e muito utilizado para fabricar asfaltos no exterior.

Assim, a Petrobras exporta o petróleo excedente e importa o óleo leve para fazer a mistura. O problema com isso, ainda segundo Grisi, “é que o óleo pesado é mais barato que o leve”, ou seja, “ganhamos menos com a exportação e gastamos mais com a importação”.

Dados sobre importação e exportação de petróleo

Diante disso, como queremos ter uma análise mais profunda das importações de petróleo nos últimos meses, vamos dar uma olhada nos dados da plataforma Search da Logcomex.

Os dados selecionados da plataforma correspondem aos 12 meses entre fevereiro/2020 e janeiro/2021 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 2709.00.10.

Nesse período, foram importados US$ 2,5 bilhões (FOB) divididos em 189 registros de importação localizados no período.

Desses registros, os países com maior participação foram Estados Unidos (56,08%), Arábia Saudita (11,64%), Nigéria (7,41%) e Argélia (6,88), com seus respectivos valores em US$ descritos a seguir:

importação-de-petróleo-logcomex-países

Países de aquisição para a importação de petróleo. Fonte: Search, Logcomex.

Quanto às empresas que exportaram o petróleo, a Petrobras lidera o ranking com 102 registros, seguida de outras refinarias.

As principais unidades de desembaraço que receberam o óleo foram o Porto de Itaguaí, Porto Alegre, São Sebastião e Porto do Rio Grande, seguidos de Maceió, Porto de São Francisco do Sul e Porto de Suape.

importação-de-petróleo-unidades-de-desembaraço-logcomex

Unidades de desembaraço para a importação de petróleo nos últimos 12 meses. Fonte: Search, Logcomex.

Como já era de se esperar, com base nas principais unidades de desembaraço já podemos concluir que o modal mais utilizado foi o marítimo (74,07%), com 14 registros, seguido do aéreo (25,93%), com 49 registros.

importação-de-petróleo-logcomex-modais-de-transporte

Modais de transporte para a importação de petróleo. Fonte: Search, Logcomex.

Amplie seus resultados na importação de petróleo

Você viu a quantidade de informações que conseguimos analisar com os dados fornecidos pelo Search?

Com ele você consegue se preparar muito mais ao acompanhar as oscilações do mercado nacional como um todo.

Mas estas informações sobre o petróleo são só um exemplo, tem muito mais disponível na plataforma para que você faça análises profundas do mercado e entenda futuras tendências.

Saiba as soluções que a Logcomex oferece para importadores.

Nova call to action