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Importação de petróleo: por que o Brasil importa o produto?

Acredite ou não, o volume de petróleo extraído no Brasil, por dia, gira em torno de 2,6 milhões de barris (UOL Economia). Esse número é expressivo em razão da descoberta do pré-sal brasileiro em 2006 pela Petrobras e sua exploração iniciada em 2010.

Com uma produção desse porte, seria possível imaginar que o Brasil fosse um país autossuficiente, ou seja, capaz de atender toda a demanda nacional de combustíveis.

Contudo, as importações de petróleo sofreram um aumento a partir de 1997 e vêm subindo ainda mais nos últimos anos.

Ora, por que será que o Brasil importa uma grande quantidade dessa commodity, mesmo sendo capaz de uma produção tão expressiva?

Parece não fazer muito sentido, mas continue sua leitura que vamos descobrir o motivo! 



Importações e exportações brasileiras de petróleo

Falando em números, em entre janeiro e junho de 2022, o Brasil importou 5,5 milhões de toneladas de petróleo a um preço total de US$ 4 bilhões. Relativo à exportação, 30 milhões de toneladas saíram do país a um preço total de US$ 19,3 milhões.

Os principais destinos foram China e Estados Unidos, seguidos de Espanha, Chile e Portugal.

Você deve ter percebido que o número de exportação é maior que o número de importação de petróleo, mas há um pequeno detalhe no qual devemos prestar atenção.

Nova call to action

Em cidades muito distantes da região Sudeste, onde está concentrada a maior parte das refinarias brasileiras, a importação de petróleo estrangeiro é mais vantajosa para as distribuidoras.

Por exemplo, para uma companhia que distribui combustíveis no Maranhão é mais oportuno negociar o produto com uma refinaria estadunidense presente no Golfo do México do que comprar das refinarias nacionais.

Isso acontece porque o custo com transporte é mais barato dada a proximidade com o Golfo.

A diferença do petróleo importado e exportado

O valor do petróleo que vimos acima não é a única diferença entre o petróleo que é produzido no Brasil e o petróleo que é importado. Essa diferença se dá, também e principalmente, na qualidade e no refino do óleo.

Todo tipo de petróleo, bom ou ruim, deve passar por um processo de refino antes de virar combustível a ser utilizado nos meios de transporte. 

Nessa atividade de refino, o óleo passa por muitos processos químicos que acontecem em indústrias complexas e caras, com alta tecnologia. Com isso, quanto mais denso (pesado) o petróleo, mais complicado é o processo de refino.

E aqui entra o X da nossa questão: o petróleo extraído no Brasil é mais pesado e, portanto, mais difícil de refinar, ao mesmo tempo que é mais barato para venda. 

Por isso, ele precisa ser misturado com petróleo estrangeiro, mais leve, antes de ser utilizado, como afirmou Celso Grisi, da Fundação Instituto de Administração (FIA), “as refinarias brasileiras precisam misturar o óleo pesado nacional com o óleo leve importado para conseguir refinar”.

Contudo, o cenário brasileiro já foi pior: há cerca de 25 anos a Importação de petróleo era muito maior que a atual porque a tecnologia necessária para o refino era quase inexistente no Brasil, de modo que era necessário importar altas quantidades de petróleo estrangeiro com maior qualidade (mais leve) para ser misturado com o petróleo brasileiro de qualidade inferior (mais pesado).

Hoje, após a construção e a melhoria de diversas refinarias no Brasil, o país possui maiores habilidades para processar esse petróleo pesado, o que faz com que a necessidade de importar, ainda que existente, seja menor.

Ainda assim, a exportação de petróleo é bastante recorrente no Brasil. Isso acontece porque o petróleo nacional, mais denso e mais barato, o torna ideal e muito utilizado para fabricar asfaltos no exterior.

Assim, a Petrobras exporta o petróleo excedente e importa o óleo leve para fazer a mistura. O problema com isso, ainda segundo Grisi, “é que o óleo pesado é mais barato que o leve”, ou seja, “ganhamos menos com a exportação e gastamos mais com a importação”.

Dados sobre importação e exportação de petróleo

Analisando as origens do petróleo que vem pro Brasil, aparecem em primeiro lugar Estados Unidos, seguidos de Arábia Saudita, Nigéria, Guiana e Congo.

As principais unidades de desembaraço que receberam o óleo foram o Porto de Itaguaí, São Sebastião, Salvador, Porto Alegre, Porto de São Francisco do Sul, Maceio e Porto do Rio Grande.

Como já era de se esperar, com base nas principais unidades de desembaraço já podemos concluir que o modal mais utilizado foi o marítimo, seguido do aéreo.

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