O futuro do comércio exterior envolve tecnologia e inovação

Futuro do comércio exterior: quais são as tendências?

Tudo muda a todo momento. A tecnologia e o mercado alteram alguns panoramas do comércio exterior. Essas mudanças são necessárias para facilitar a vida de quem importa e exporta e vem em busca de agilidade e facilitação nas burocracias estabelecidas anos atrás, quando a realidade ainda era outra.

Esse foi um dos temas abordados no segundo dia do Logcomex Summit 2021, durante um bate-papo sobre Tendências e Inovação em Comex com Rodrigo Alves, CEO e fundador da Fil Group. Você ainda pode acessar para conferir o conteúdo na íntegra aqui embaixo.

Neste texto, você irá conferir:

Como o comércio exterior está hoje?

Quem não olhar para o futuro corre um sério risco de ficar para trás”, afirmou Rodrigo Alves, reforçando a necessidade de inovar e acompanhar tudo que acontece dentro e fora do mercado do comércio exterior. Somente dessa maneira a inovação pode ser aplicada para que traga bons frutos. 

Apesar do comércio exterior se manter como segmento aquecido, os números divulgados pela Secretaria Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia apontaram que no Brasil as exportações caíram 6,1% e somaram US$ 209,92 bilhões no acumulado de 2020, comparado ao ano anterior. Já as importações caíram 9,7% e totalizaram US$ 158,93 bilhões. 



Ainda de acordo com os dados, a balança comercial apresentou superávit de US$ 50,99 bilhões. Crescimento de 7,0% em relação a 2019.  Enquanto isso, o volume de negócios registrou queda de 7,7% em comparação ao ano anterior, fechando em US$ 368,85 bilhões em 2020.

 O cenário acima também representa um ano atípico dos demais, já que foi o período em que a pandemia começou. Hoje, diferentes projeções já apontam retomada econômica e dados mais expressivos referentes ao comércio exterior.

 Um desses exemplos é o Panorama Econômico da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que prevê crescimento do país em 3,7% para 2021 e 2,5% para 2022. Os dados projetados apontam que a economia brasileira voltará ao nível pré-pandemia até o fim de 2022.

Nova call to action

Resistência a mudança no comércio exterior

Há mais de 20 anos atuando na área de comércio exterior, Rodrigo Alves explica que ainda é preciso mudar o mindset para uma nova gestão do setor. Além de entender a importância do conceito de ‘inovação’, que é devidamente aplicada quando agrega um resultado e não somente burocracia. 

“A transformação digital passa por incorporarmos a tecnologia a serviço das empresas e pessoas. Acho, por tudo que a gente conhece e estuda, que estamos só no começo dessa mudança. Teremos muita evolução em relação à questão tecnológica”, diz. 

Esse pensamento é embasado nas transformações tecnológicas que estão impactando o comércio exterior. Por anos, desde a década de 90, diversas regras e burocracias foram mantidas por órgãos governamentais e Receita Federal, por exemplo. A falta de atualização, acompanhando as mudanças e exigências do setor, criaram contratempos e dificuldades para quem importa e exporta. 

Hoje, algumas adaptações tecnológicas já facilitam os negócios para importadores, exportadores e aduaneiros. Como por exemplo, a criação do Portal Único Siscomex. A flexibilização e unificação dos serviços em um só site também ajuda quem está começando com as negociações internacionais e empresas que atuam com logística

Leia mais: Como a transformação digital está impactando o comércio exterior

 

Como o comércio exterior vai estar daqui 10 anos

A economia volta a ser discutida em tempos de pandemia. Com a oscilação dos casos, mas com uma melhora otimista no cenário mundial, o comércio exterior vive mudanças e oscilações. Os reflexos, de acordo com especialistas, ainda serão sentidos. Mas o que esperar do setor a longo prazo?

A pandemia evidenciou ainda a conexão entre os países. Atualmente, a China é o principal fornecedor mundial, porém, durante bate-papo no Summit, o CEO e fundador da Fil Group contou que a longo prazo é interessante buscar por outras possibilidades. 

“Já temos mapeado alguns mercados potenciais de fornecimento de diferentes e estratégicos produtos para que nossa estrutura colaborativa do nosso agente do destino ou da origem já esteja preparado para isso”, conta. 

Outra preocupação e necessidade apontada por ele foi entender quais serão as tendências do setor nesse período. A Fil Group fez um relatório, levantando tópicos que possam ser melhor assimilados e trabalhados para que acompanhem o mercado, o que é inovação e como ser mais ágil e eficaz no segmento. 

A princípio, esse estudo indicou nove tendências que de alguma maneira iriam, vão ou seguem impactando o comércio exterior, como estratégia, geografia e transporte.

“Ou a gente melhora essa nossa experiência, ou quem ainda não se atentou para isso corre grande risco da gente não encontrá-los daqui 10 anos”, afirma.

Ainda discutindo sobre tendências para daqui há anos no comércio exterior, Rodrigo explica que o futuro do comex deve passar por uma equação conhecida como ‘humanismo digital’, onde tecnologia assertiva e bem implementada faz conexão com humanos.

“Isso na prática resulta em três situações: teremos processos muito mais ágeis; além dessa velocidade, nós passaremos por uma transparência muito maior pelos processos de comércio exterior e tem um ponto chave, aí onde entram as pessoas. A gente vai falar mais de jornada do cliente, das pessoas e do consumidor”

 

Aprender a desaprender

Com tantas burocracias e exigências impostas há anos, o mercado se acostumou com essas ‘regras’ do comércio exterior. Mas como se adaptar ao novo? Segundo Alves, o segredo é ‘aprender a desaprender’.

“O que a gente tem que ter em mente? Tudo que a gente sabia até ontem, possivelmente não sabemos mais. Nós temos que estar dentro desse cenário. Aprender a desaprender. Vivemos num mundo tão veloz, o mundo do “porquê”. Quem questiona muito e busca pela informação e criatividade vai encontrar caminhos. A gente não pode ficar fora disso”, comentou o CEO durante papo no Summit 2021 da Logcomex.

Ele pontua ainda que esse modelo de desconstrução do hábito é necessário para acompanhar a velocidade das informações e alterações que o mercado exterior exige. “Se a cultura da empresa não está aberta para isso, o efeito da transformação tecnológica é muito pequeno. As empresas estão saindo de uma mecânica que a gente chama de ‘organizações máquinas’, engessadas em processos, e passando por um modelo de organização como se fosse um organismo vivo. Os times são muito colaborativos e gestão permite auto avaliação, auto responsabilidade, decisão de baixo para cima. Isso tudo mexe como um todo”, explica.

Leia mais: Inteligência Comercial no Comércio Exterior: como tomar decisões baseadas em dados?

Tendências para o futuro do comércio exterior

As tendências para o futuro do comércio exterior, principalmente brasileiro, começaram a acontecer a partir de 2017 com a implementação do DU-E (Declaração Única de Exportação), criação do Portal Único Siscomex e também mudanças com o DUIMP no Novo Processo de Importação no país. 

Leia mais: Novo processo de exportação: como era, como ficou e como utilizar a plataforma

Quem faz parte do setor, trabalha para diminuir a burocracia e tentar fomentar mais a economia do setor, já que o Brasil ainda não chega a 20% de participação do PIB com os negócios externos. 

Por isso, a importância da criação de inovações no segmento é alta, de acordo com Rodrigo Alves. “Precisa pensar em curto, médio e longo prazo. Apresentar soluções e não cotações. Unificar departamentos para ações ágeis”, complementa Alves sobre como as tendências de mercado precisam ser pensadas para funcionar dentro de uma empresa e no comércio exterior de modo geral. 

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