Quando o Titanic afundou na noite gelada de 15 de abril de 1912, o famoso navio não estava exatamente navegando na obscuridade. No entanto, demorou décadas antes que os destroços fossem descobertos, depois de anos e anos de busca, em 1º de setembro de 1985, 32 anos atrás.

O navio naufragado hoje descansa na escuridão, um colosso de aço corroído espalhado por mil hectares no fundo do Atlântico Norte. Os fungos se alimentam disso. Formas de vida estranhas, imaculadas pela pressão esmagadora, fazem do navio outrora esplêndido e luxuoso sua casa. De tempos em tempos, começando com a descoberta do naufrágio em 1985, um robô ou um submersível tripulado aponta um feixe de sonar em sua direção, e toma algumas imagens do navio.

O que há de tão especial sobre o RMS Titanic? Por que, mais de um século depois, sua história ainda cativa a nossa imaginação?

Para alguns, a grande excentricidade da morte do Titanic está no centro da sua atração. Esta sempre foi uma história de superlativos: um navio tão luxuoso, tão forte e tão grande, afundando em águas tão frias e tão profundas. Para outros, o fascínio do Titanic começa e termina com as pessoas a bordo. Levou 2 horas e 40 minutos para que o Titanic afundasse, o suficiente para que 1.508 pessoas perdessem a vida. Diz-se que um covarde se vestiu de mulher para embarcar no bote salva-vidas, mas a maioria das pessoas era honorável e heroica. O capitão ficou na cabine, a banda tocou até os momentos finais, as operadoras de rádio sem fio Marconi continuaram enviando seus sinais de socorro até onde puderam. Como eles viveram seus momentos finais é o interesse universal, que ficou perpetuado na cultura popular principalmente após o sucesso estrondoso do filme homônimo de James Cameron, de 1997.

Mas outra coisa, além das vidas humanas, afundou com o Titanic: uma ilusão de ordem, uma fé no progresso tecnológico, um anseio para o futuro que, à medida que a Europa se dirigia para uma guerra em grande escala, logo foi substituída por medos e temores também familiares para o nosso mundo moderno. “O desastre do Titanic foi o estourar de uma bolha”, disse James Cameron. “Havia uma sensação de recompensa na primeira década do século XX. Elevadores! Automóveis! Aviões! Rádio sem fio! Tudo parecia tão maravilhoso, numa espiral ascendente infinita. Então tudo acabou de afundar”.

Nos últimos anos, exploradores como James Cameron e Paul-Henry Nargeolet trouxeram fotos cada vez mais vívidas do naufrágio.

Conforme mostrado por essas fotos, tomadas naquele ano e pouco depois, o navio estava em condições surpreendentemente boas considerando o tempo que passou. Robert Ballard, o líder da expedição de descoberta, contou a revista TIME nesse mês que o oceano tinha protegido o grande navio e o manteve uma “peça de museu”.

“Em certo sentido, foi um sonho realizado para todos os cientistas da rede marítima. Para localizar um dos navios mais tecnologicamente avançados da época, os pesquisadores empregaram a tecnologia mais avançada dos anos 80. Uma equipe de 13 investigadores navegou no navio de pesquisa da Marinha dos Estados Unidos, Knorr, e uniu forças com um contingente de cientistas franceses a bordo do Suroit, operado pelo Instituto de Pesquisa para Exploração do Mar (IFREMER), com sede em Paris. Os dois navios estavam transportando vários milhões de dólares em equipamentos sofisticados, incluindo um dispositivo de sonar de alta resolução que pode rastrear precisamente os contornos do oceano e uma embarcação submersa a milhares de metros de profundidade. Para alguns dos pesquisadores, a maior emoção foi que seus equipamentos experimentais funcionaram.”