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Acordo Mercosul e UE: impactos para o Comex em 2026

Written by Redação Logcomex | 26.2.2026

O comércio exterior brasileiro entrou em 2026 sob um novo olhar estratégico, e isso porque o Acordo entre Mercosul e União Europeia deixou de ser uma negociação prolongada para se tornar uma realidade mais próxima das decisões das empresas importadoras e exportadoras.

A abertura comercial certamente altera o equilíbrio competitivo, em que os exportadores passam a enxergar um mercado ampliado e mais previsível, enquanto os importadores podem enfrentar maior exposição à concorrência europeia. E o impacto não se limita às tarifas, ele se estende à logística internacional, à estrutura de custos, à formação de preço e à necessidade de conformidade regulatória mais sofisticada.

Portanto, em 2026, adaptar-se significa mais do que reagir. Significa entender como o novo ambiente comercial influencia margens de lucro, participação de mercado e posicionamento estratégico em médio prazo.

O cenário do Acordo Mercosul-UE em 2026: o que mudou?

Janeiro de 2026 marca a virada concreta para o comércio exterior brasileiro. Já que, neste ano, o Acordo entre Mercosul e União Europeia deixa de ser uma negociação diplomática. O tratado passa a operar em sua fase de implementação técnica e ratificação final.

Após a assinatura no início de 2026, o texto entrará na fase de aprovação parlamentar. E, quando entrar em vigor, haverá a eliminação gradual de tarifas. O processo abrange 91% das importações do Mercosul e 95% das compras da União Europeia.

Ou seja, o impacto não é apenas comercial, mas estrutural. Visto que as empresas redesenham suas cadeias de suprimentos e revisam contratos. Além disso, os gestores precisam ajustar as estratégias de precificação à nova realidade competitiva.

O ambiente regulatório tornou-se mais sofisticado. Ainda assim, a lógica predominante foca na abertura gradual e previsível. O sistema inclui cláusulas de proteção para ajustes em setores sensíveis caso surjam impactos inesperados.

Enfim, o acordo já é operacional. Então, a questão em 2026 não é mais "se" ele trará impactos. O ponto central é "como" a sua empresa irá se posicionar diante dessa nova dinâmica.

Principais impactos para o importador e exportador brasileiro

Com a transição tarifária e as novas regras operacionais entrando em vigor após a ratificação do acordo entre Mercosul e União Europeia, os efeitos começam a se materializar no dia a dia das operações. Importadores e exportadores passam a lidar com mudanças simultâneas: alteração de custos, exigências documentais mais rigorosas e novos padrões regulatórios que impactam diretamente a formação de preço e a competitividade.

Com este novo cenário, não se trata apenas de identificar oportunidades de redução tarifária, mas de compreender como as novas condições comerciais alteram cadeias de suprimentos, o posicionamento de mercado e dinâmica de concorrência entre as empresas.

Redução gradual de alíquotas de importação

O cronograma inicial de redução progressiva das tarifas de importação já começa a produzir efeitos jurídicos concretos já no primeiro dia do mês seguinte à notificação da conclusão dos trâmites internos de aprovação das partes e ratificação do acordo.

Com isso, a eliminação parcial de tarifas de importação para determinados bens industriais europeus reduzirá os custos de importação e poderá alterar significativamente as cadeias produtivas brasileiras.

A entrada mais competitiva de maquinário e tecnologia tenderá a elevar o padrão produtivo nacional, no entanto, essa abertura também amplia a concorrência interna. As indústrias brasileiras que antes operavam com menor pressão externa passarão a disputar mercado com fornecedores europeus consolidados.

Para o exportador do Mercosul, o benefício está no acesso preferencial a um mercado de alto poder aquisitivo. Contudo, sem o correto cumprimento das regras de origem, o benefício tarifário simplesmente não se aplica, ou seja, o controle documental torna-se decisivo.

Assim, a redução de alíquotas representa uma oportunidade relevante, mas exige preparo técnico. E as empresas que dominam dados de mercado conseguirão melhor estimar impacto de preço, as variações de market Share e, assim, começar a se antecipar aos movimentos competitivos.

 Barreiras não-tarifárias e padrões de qualidade

O fato é que, se as tarifas de importação diminuem, as exigências técnicas ganham protagonismo. A União Europeia opera com padrões sanitários, fitossanitários e técnicos altamente rigorosos, portanto, exportar para o bloco significa cumprir normas detalhadas de qualidade, rastreabilidade e segurança.

Para isso, as regras de origem tornam-se elemento central, já que apenas produtos que comprovem origem conforme critérios estabelecidos podem usufruir da preferência tarifária, e a ausência dessa comprovação elimina o benefício e compromete a competitividade.

Além disso, certificações específicas e adequação às normas europeias de rotulagem, segurança alimentar e padrões industriais passam a integrar o custo estrutural da exportação. Para muitas empresas, isso implica investimentos em auditorias, consultorias e sistemas de rastreabilidade.

O acordo entre Mercosul e União Europeia amplia o acesso, mas também eleva o nível de exigências. Então, quem negligenciar a conformidade regulatória de suas operações correrá o risco de perder competitividade mesmo com tarifas reduzidas.

O fator sustentabilidade e o "Green Deal"

Por sua vez, a sustentabilidade deixou de ser um diferencial reputacional e passou a ser condição de acesso ao mercado europeu, afinal, o chamado “Green Deal” europeu influencia diretamente os fluxos comerciais.

Exigências relacionadas à rastreabilidade ambiental, comprovação de ausência de desmatamento e padrões de produção sustentável tornam-se determinantes. Produtos associados a práticas ambientalmente questionáveis enfrentarão cada vez mais barreiras regulatórias que impedirão a sua entrada no mercado internacional, principalmente o europeu.

Para o agronegócio brasileiro, isso significa incorporar sistemas de monitoramento e comprovação auditável. Dados ambientais precisam ser estruturados, verificáveis e integrados à documentação comercial.

Essa pressão regulatória não é abstrata, pois se trata de um novo filtro de mercado. As empresas que não conseguirem comprovar conformidade ambiental ficarão expostas a restrições, atrasos e perda de contratos.

Setores protagonistas: quem ganha mais com a abertura comercial?

É claro que a abertura comercial promovida pelo acordo não impacta todos os setores da mesma forma. Em 2026, já é possível identificar segmentos que tendem a capturar ganhos mais imediatos, seja pelo acesso ampliado ao mercado europeu, seja pela integração a cadeias globais de maior valor agregado.

Ao mesmo tempo, a redistribuição de competitividade dentro do mercado brasileiro começa a se tornar visível. Alguns setores se beneficiam de redução tarifária e maior previsibilidade regulatória, enquanto outros irão enfrentar uma pressão crescente de concorrentes europeus.

Agronegócio

Em primeiro lugar, o setor agrícola está entre os principais beneficiados. Estima-se que aproximadamente 95% das exportações agrícolas do Mercosul para a União Europeia tenham algum nível de eliminação tarifária ao longo do cronograma.

Produtos como carne bovina, aves e açúcar operam sob cotas específicas, enquanto itens como café solúvel e suco de laranja avançam para liberalização mais ampla, e isso amplia o potencial de competitividade brasileira no mercado europeu.

Contudo, o acesso efetivo depende de conformidade sanitária, ambiental e documental, e com isso, a rastreabilidade da cadeia produtiva se torna condição básica.

Indústria de transformação

Já a indústria brasileira enfrenta uma dinâmica dupla, ou seja, de um lado, a maior concorrência europeia no mercado interno, de outro, acesso facilitado a insumos e tecnologia de alto valor agregado.

Diante disso, as empresas industriais podem modernizar processos produtivos, elevar eficiência e incorporar inovação. Porém, aquelas que operam com baixa produtividade sentirão uma pressão competitiva imediata.

A abertura comercial exige ganho de eficiência estrutural, pois não se trata apenas de competir em preço, mas em qualidade, prazo e confiabilidade.

Leia mais: Frete internacional: como calcular

 Desafios logísticos e estratégicos para 2026

Em resumo, o aumento do fluxo comercial gera impactos logísticos imediatos, uma vez que portos, operadores logísticos e cadeias de transporte enfrentarão maior demanda e complexidade documental.

Além disso, o acordo entre Mercosul e União Europeia amplia possibilidades em compras públicas, permitindo maior participação de empresas europeias em licitações brasileiras e vice-versa, e isso introduz novos competidores em setores estratégicos.

A previsibilidade torna-se variável crítica, já que a gestão de frete, planejamento de estoque e controle documental precisam operar com precisão.

Nesse ambiente, a inteligência de dados deixa de ser apoio e passa a ser ativo estratégico, uma vez que monitorar o market share, mapear a entrada de concorrentes europeus e analisar as variações setoriais permitirão as empresas tomarem decisões mais assertivas.

As ferramentas de Big Data aplicadas ao comércio exterior oferecem visibilidade sobre fluxos reais de importação e exportação, e as empresas que aplicarem tais ferramentas em suas atividades poderão identificar com maior facilidade as tendências de mercado e conseguirão se sobressair diante de seus concorrentes diretos.

Leia mais: O que é frete FOB

Como preparar sua operação para o novo fluxo comercial

Não há dúvidas de que a execução do acordo entre Mercosul e União Europeia exige ações imediatas que deverão ir além do planejamento estratégico.

Revisar contratos internacionais para adequar cláusulas de origem e seguro deve ser uma etapa inicial, uma vez que garantir documentação correta e certificações atualizadas evitará a perda de benefício tarifário.

Monitorar a concorrência europeia no mercado interno torna-se prioridade estratégica, uma vez que as empresas precisarão acompanhar os volumes importados, principais players e evolução de preços.

Adaptar compliance ambiental à nova exigência europeia é condição de permanência no mercado, então, a rastreabilidade precisa ser integrada à gestão comercial.

Por fim, investir em tecnologia e dados consolida a vantagem competitiva das empresas brasileiras. Em um cenário de abertura comercial, maior concorrência e exigência regulatória elevada, decisões baseadas em informações fragmentadas simplesmente aumentarão os riscos associados às operações.

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FAQ

O que muda nas tarifas de importação com o acordo em 2026?

Haverá uma desgravação gradual para 91% das importações do Mercosul, visto que o tratado busca eliminar barreiras comerciais de longo prazo.

Como o "Green Deal" europeu afeta as exportações brasileiras?

Ele impõe filtros de rastreabilidade ambiental rigorosos, garantindo, assim, que apenas produtos livres de desmatamento acessem o mercado europeu.

Quais setores ganham mais competitividade com a abertura comercial?

O agronegócio amplia seu acesso com cortes tarifários em 95% dos itens, permitindo, portanto, maior volume de vendas de carnes e açúcar.

Qual a importância das Regras de Origem no novo acordo?

Apenas produtos que comprovem sua origem usufruem do benefício tarifário, assegurando que a vantagem técnica não seja perdida por falha documental.