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Entenda o mercado, as inovações e desafios dos contêineres

O evento Logcomex Summit trouxe as principais tendências e debates do setor de comex no Brasil e no mundo de forma online e gratuita. As palestras aconteceram nos dias 6 e 7 de outubro e ainda estão disponíveis para quem quiser ficar por dentro dos insights de mercado com nomes de peso no País. No artigo de hoje, falamos sobre o mercado de contêineres, um dos destaques do evento.  

Quem falou sobre o assunto foi Thomas Lima, diretor comercial e institucional do Terminal de Contêineres do Paranaguá (TCP). Lima falou sobre tecnologia, inovação e o futuro deste mercado. Para ele, trata-se de um setor cheio de desafios que precisam ser superados por meio da inovação, informação e inteligência de logística.

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Inovação em logística

O convidado começou a explanação falando justamente sobre a necessidade de inovação, um tema sempre mencionado no mercado, mas muito difícil de ser colocado em prática com eficiência e assertividade. Antes de tudo, é importante compreender alguns conceitos sobre o que é o processo de inovação, que está ligado à produtividade e geração de valor.

Para ele, não se faz isso sem informação, mas a informação precisa ser pensada por um setor de inteligência, de forma a servir de base para esta transformação gere, comunique e propague valor na cadeia produtiva. “Se você não gera valor para todo mundo que está embarcado, a inovação é só uma ideia vazia”, afirma. 

Fazer uma sintonia com os operadores logísticos, por exemplo, é um desafio complexo que demanda muito trabalho de informação, análise e otimização. Segundo Thomas, ainda há carência de um setor de inteligência nas cadeias logísticas para se dedicar a essas funções e colocar a inovação em prática. 

A Evolução do mercado de contêineres

Thomas Lima explica que, de 20 anos pra cá, os navios quadruplicaram de tamanho, a competição no mercado ficou intensa, houve um aumento de demanda e que, atualmente, os navios estão vindo aos portos com 12 mil TEUs. 

Segundo ele, uma das coisas que mudaram o perfil econômico nesses últimos 20 anos é que o Brasil passou a ser produtor de alimentos e, junto com isso, há uma industrialização acontecendo no País. Ele explica que qualquer crescimento representa bastante em termos de volume de carga, por isso o trabalho também cresce bastante.

A agilidade logística nos processos e operações

A questão da inovação, como dito, precisa agregar valor. Uma das inovações mais importantes para o Comex é a capacidade de diminuir o tempo de transporte, otimizar a logística das cargas de forma a trazer benefícios e impactos positivos em toda cadeia produtiva.

“A gente tá conseguindo finalizar o ciclo logístico dentro do terminal. A gente tem armazém de exportação e importação no terminal e aí vem um caminhão graneleiro do importador dentro do TCP, pega carga e já tá chegando outra carga do exportador. Muitas vezes, esse caminhão que veio buscar a carga do importador já trouxe a carga do exportador”, explica Thomas. 

Segundo o diretor, com isso tem-se uma queda de 50% do tempo que os contêineres estão demorando para voltar para a exportação. Ele conta também que, para atingir os números, foi necessária uma evolução com a base de dados para enxergar essas oportunidades de casamento.

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O contexto da pandemia

O diretor da TCP acredita que a pandemia colocou à prova a capacidade de inovação dos setores. Segundo ele, este contexto trouxe uma série de desafios para a economia global, questionando lógicas consolidadas e paradigmas de mercado. Sobreviverá aqueles que forem capazes de manter o dinamismo e pensar em soluções rápidas e assertivas.

 “O principal efeito da pandemia foi manter o atendimento em uma cadeia complexa, pois a pandemia oprimiu alguns setores da economia e, com a abertura para essa roda voltar a girar, todo o sistema sobrecarrega”, explica.

A solução para esses casos é, justamente, pensar em soluções inovadoras que sejam capazes de beneficiar toda a cadeia. Lima cita alguns cases de sucesso que buscam otimizar os trânsitos e a logística dos contêineres. Trata-se da logística Milk Run, que é feita uma operação casada de empresas distintas, que otimiza a produtividade do transporte e a ocupação dos contêineres.

Escassez de contêineres?

Com o aumento da demanda e com as dificuldades trazidas com a pandemia e os desafios logísticos que ainda são uma realidade, não é raro que o mercado se depare com a escassez de contêineres, o que prejudica os negócios e as relações comerciais de importação e exportação.

No entanto, por mais que a escassez de contêineres seja uma realidade, o TCP bateu recorde de maior movimento da história de contêiner refrigerado. Foram mais de 10 mil movimentações em 2021. Ainda assim, mesmo com o poderio operacional, segundo Thomas, o cliente está sofrendo com a realidade da escassez. 

Por isso, a otimização da logística e o investimento em inteligência se faz cada vez mais necessário a médio e longo prazo, já que a tendência é que a demanda aumente ainda mais.

O futuro do mercado: o que esperar?

Em um mercado como o de contêineres e a logística de importação e exportação, o pensamento a longo prazo é sempre o que impera, já que as mudanças demoram para ser implementadas. 

“Via de regra a gente foca primeiro na missão de diminuir custo logístico e buscar formas de reduzir o GAP, se aprofundando cada vez mais em partes da cadeia que não estão diretamente ligadas à nossa atuação”, comenta Thomas.

O futuro das operações, no entanto, não trata apenas das logísticas dos contêineres em si, que por si só já devem proporcionar controle, segurança, confiança, agilidade e redução de custos para importadores e exportadores, mas também de requisitos ambientais como a redução da emissão de carbono, produção de resíduos e modernização de gate.

 

“Esses processos de inovação estão no DNA da TCP, uma condição que a gente trouxe para aumentar a disponibilidade de serviços logísticos. Não dá pra querer ser melhor do que o concorrente fazendo a mesma coisa que ele. É preciso de um projeto inovador e disruptivo, que mude radicalmente o jeito de fazer”.

Quando haverá uma melhoria no déficit de contêineres?

Esta é uma pergunta que é difícil prever. Isso porque seria necessário um levantamento de vários outros setores a fim de criar uma projeção mais assertiva. No entanto, o diretor do TCP explica que em agosto a empresa estava com 95% de ocupação do terminal, mas que em outubro esse número caiu para 70%.

“Está desafogando e com as ações para ampliar a produtividade e a movimentação de carga acaba desocupando o sistema como um todo. O sistema vem dando sinais de que está voltando à normalidade, mas é difícil falar com assertividade”, afirma.  

A projeção de uma normalidade maior é para o primeiro trimestre de 2022, segundo Thomas. “Com a inteligência e tecnologia com tudo que estamos projetando nos próximos cinco a dez anos, vamos ter capacidade de dobrar o que a gente produz na TCP”.

Desafios do setor

Um diferencial  de um terminal para os próximos anos, é pensar no acesso e na logística fora do porto. Lima explica que “quando a gente olha na linha do tempo nos últimos 20 anos que saíram 4 terminais tradicionais e chegaram 4 robustos para atender grandes volumes e atender grandes navios, temos que pensar no macro, em mais ferrovias, e rodovias mais eficientes”. 

Com relação às ferrovias, é importante lembrar do projeto da nova Ferroeste, que vai ligar a cidade de Dourados (MS) ao porto de Parananguá, onde fica o TCP. O trem é uma alternativa para reduzir custos, otimizar o transporte e contribuir para o desenvolvimento das diversas cidades dos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul. O projeto está previsto para entrar em vigor em 2022. 

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Ou seja, as novas oportunidades são um convite para que todo o mercado se mobilize para desenvolver a infraestrutura necessária à otimização e que viabilize novas formas de inovação e logística na cadeia produtiva como um todo. Se há necessidade, há também oportunidade.

Geração de valor

Thomas lembra que o mercado é antigo e algumas visões retrógradas não fazem mais sentido nos dias atuais. “Quando a gente olha o que está acontecendo no mercado de forma mais ‘macro’, a gente vê que o mercado está mudando e que a situação é muito dinâmica. Pensando na sustentabilidade do nosso negócio, a gente quer ser melhor para nossos clientes do que os próprios terminais. É por isso que a inovação é tão importante”.

É preciso mapear, antes de tudo, pois uma inovação precisa gerar valor. Porém a cadeia do valor é complexa, por isso é preciso de informação e tecnologia para poder mapear o sistema e o valor que vai ser gerado. Depois é preciso trabalhar esse valor e gerar, em seguida, comunicar e capturar esse valor. É preciso ser eficiente em todas as etapas para que o processo de inovação seja bem sucedido”.

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