Como ser um despachante aduaneiro estratégico?

Quem trabalha com comércio exterior e atividades de importação ou exportação sabe do papel central do despachante aduaneiro, especialmente em um cenário cada vez mais complexo (e promissor em termos econômicos). Adentrar nos mercados internacionais abre portas e dá oportunidades de crescimento e desenvolvimento a quem ousa inovar e enfrentar todos os desafios de burocracias, documentações e movimentos de mercado. Por isso, não é exagero dizer que quem tem um despachante aduaneiro estratégico, tem tudo.

Nesse sentido, compreender e acompanhar as movimentações do mercado é fundamental para se manter competitivo frente a tantas mudanças e desafios que se apresentam no comércio exterior a nível global. Neste texto, você confere o papel do despachante em cada etapa do processo de comércio exterior, sua importância, como ser estratégico frente ao novo cenário do despacho aduaneiro de forma a abrir oportunidades para os clientes e impulsionar sua empresa. 

Quais são as atividades básicas de um despachante aduaneiro?

A premissa básica do trabalho do despachante aduaneiro é recolher, organizar e apresentar toda documentação necessária para o processo alfandegário de exportação ou importação. O despachante tem todo o conhecimento do mercado, dos processos e burocracias necessárias para liberação de operações, otimização do tempo e para que todo o processo ocorra dentro das normas da legislação e sem problemas legais. 

Além da questão burocrática, o despachante deve realizar a comunicação para liberação dos agentes envolvidos no processo, como os operadores, armazéns, bancos, certificadoras, portos de forma a agilizar e otimizar o processo. Por isso, é preciso experiência e expertise para garantir tal agilidade demandada pelo cliente. Esta profissão não é nova e existe desde os tempos do império e atualmente é regulamentada pela Instrução Normativa RFB nº 1.209/2011. 

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O despachante representa o cliente em todas as operações aduaneiras perante as normas e burocracias referentes às mercadorias ou bens no processo de comércio exterior, desde o início do pedido até sua finalização. Especificamente, o despachante prepara e assina documentos como a Declaração Única de Importação (Duimp), Declaração de Exportação (DU-E), notificações, intimações e desembaraços necessários. 

O despachante aduaneiro faz a representação do cliente em todas as etapas. Para a verificação e identificação da mercadoria é necessário conhecimentos específicos e técnicos, como a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), funcionamento do Drawback, dos impostos, dos licenciamentos e certificados. Sem o conhecimento do despachante, a tarefa de exportação e importação fica bem mais difícil, sujeita a erros (que custam caro) pela falta de habilidade de familiaridade com os processos burocráticos do comércio exterior. 

De quais formas é possível ser estratégico no despacho aduaneiro?

Apesar de ser extremamente necessário às etapas normativas e burocracias dos processos de importação e exportação, se engana quem pensa que o despachante não deve ser criativo e capaz de inovar ao trazer otimização estratégica para os negócios do cliente. Por se tratar de uma função altamente especializada, a análise de mercado faz parte do cotidiano dos profissionais ligados ao despacho. 

Nova call to action

Atualmente, com o avanço tecnológico e transformações do mercado com a facilitação do Acordo de Bali, já se fala em despachante aduaneiro 4.0. O despachante atualizado é capaz de prestar serviços de excelência que vão além da burocracia: ele agrega valor a partir de informações, dados, estratégias de mercado e visão de futuro. Trata-se de um consultor aduaneiro. 

Segundo Alessandra Garcia, CEO da Comissária Serrana, o despacho em si está dando lugar a outras funções no contexto do comércio exterior. “O que a gente vê hoje é que o despacho é pequenininho. Se eu não fizer o despacho, tudo bem, eu tenho muito mais coisa para oferecer para o cliente, para auxiliar, para prestar consultorias, no decorrer do processo dele, então o despacho é o que menos me preocupa”, contou no Talks da Logcomex. 

Ou seja, construir a oportunidade para o cliente a partir de uma visão especializada do mercado e munida de dados e informações também traz frutos ao despachante. Monnike Garcia, fundadora da Labcomex, argumenta na mesma linha: “Você vê ali que a operação está crescendo, olha, é uma oportunidade de um drawback. Ou então você está exportando para o mercado da América do Sul, vamos focar agora no mercado Americano. É inteligência isso. Não adianta você querer fazer o feijão com arroz só é isso, mas e antes do despacho?”

Fica claro que o foco em um segmento, com inteligência de mercado e a consultoria estratégica é a nova premissa do despachante que quer se atualizar e abraçar a inovação tecnológica. É justamente essa capacidade de inovação que gera a solução para o cliente e oportunidades que fazem todos crescer no processo. 

Confira a palestra completa da Logcomex Talks:

Como ser um despachante consultor?

Como dito, o despachante tem um profundo conhecimento de mercado e é capaz de se especializar em diversos segmentos que, muitas vezes, oferecem grandes oportunidades que não estão sendo observadas. Essa oportunidade pode ser aproveitada gerando novas operações, garantindo eficiência, rapidez e retorno financeiro. Alessandra exemplifica: “eu tinha um cliente que importava garrafas vazias, e ele disse ‘agora quero importar vinho do Chile’. Eu comecei desde lá do CNAE dele, auxiliando na parte dos cadastros do MAPA e nós realizamos a operação dele 100%”.

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Esse é o papel do despachante consultor, que é capaz de transformar a ideia numa ação concreta, de indicar caminhos, facilitar operações e demonstrar para o cliente como é possível fazer dar certo. Além da criação de oportunidades, Monnike conta que um diferencial é a capacidade de redução de custos, ao indicar boas escolhas, buscando os melhores caminhos. Trata-se de um despachante especialista, com capacidade analítica e a capacidade de relacionar, articular informações e processos, gerando benefícios em toda cadeia. 

Papel do catálogo de produtos no novo cenário do despachante aduaneiro

Gerenciar o Catálogo de Produtos passa a ter grande importância no novo cenário do despachante aduaneiro, principalmente porque com a substituição da Declaração de Importação (DI) pela nova Declaração Única de Importação (DUIMP), torna-se obrigatório o uso do módulo de catálogo no portal Siscomex

Trata-se de um banco de dados que norteia o importador e as operações necessárias sobre cada produto. Esse catálogo é integrado com o sistema de importação, facilitando processos e melhorando a agilidade e segurança dos produtos no ato da importação. Este catálogo, com o tempo, produzirá um banco de dados especializados que pode ser utilizado pelo despachante na identificação dos negócios e oportunidades.  Com esse sistema, é possível identificar padrões, gerenciar riscos, mapear processos e servir como insumos para análises bem embasadas que se convertam em soluções e resultados. 

Como trazer inteligência de mercado para o despacho aduaneiro?

Como pudemos ver ao longo do texto, existe muito espaço para geração de oportunidades quando unimos tecnologia, inteligência e expertise no despacho aduaneiro. A Logcomex atua na produção de informação, dados e inteligência para auxiliar na tomada de boas decisões e conversão de oportunidades em resultados. 

É a perseguição por inovação, tecnologia e transformação de informação em oportunidade que deve motivar o despachante 4.0 e ser o norte das ações. É neste cenário que se desenha e se consolida o mercado e é o profissional preocupado com essas questões que vai se destacar. 

Para trazer a inteligência para o mercado, é preciso estar atento às transformações, as integrações tecnológicas que estão acontecendo e, acima de tudo, se posicionar no lugar certo e na hora certa com profissionais capacitados e atualizados que saibam aproveitar este novo cenário no mercado aduaneiro.